segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Amor e pantufas

Beto, do Japão ao telefone: "Bá, comprei pantufas pra voce".
Eu, no Brasil pensando antes de responder: "Tantas coisas pra comprar..."




Durante a viagem, não pensei em nada especifico, focando nas pessoas e no lugar, tentando não pensar na Laís e na Amanda. Foi dificil, mas conversando com o pessoal que conheci, acabei me distraindo.
Na saída, vi o Beto através das portas de vidro, de preto e boné... No meio da multidão, eu só conseguia ver ele, escondidinho e sorrindo. Não vi o Lucas, talvez ele estivesse ao lado, mas meu coração só conseguia ver aquele homem de preto, me esperando. Contive a vontade de largar o carrinho das bagagens e sair correndo. Acenei alegre e andei calmamente, com o corpo inteiro vibrando de vontade de chorar.
Quando o abracei, chorei. Pelo tempo em que ficamos separados, pela saudade, pelo medo de o ter perdido...
Ficamos nesse abraço por muito tempo. Eu sabia que o Lucas estava atrás, mas ele entendia a demora e  esperou.
Finalmente, caí nos braços dele e secando minhas lágrimas, ele me acalmou.
Eu estava em casa!
Sinto o Japão como minha casa oficial.
Quando abri a porta do apartamento, minhas pantufas novas estavam no hall - o meu presente de boas vindas. Elas disseram "Okaerinasai" e eu respondi "Tadaima".
Começou a nevar pela manhã e continuou até a noite
É incrivel como o amor se transforma com o tempo.
O Beto sabe exatamente o que me deixa feliz e faz de tudo para isso acontecer. Ao comprar pantufas, ele pensou no frio que eu sentiria ao chegar em casa. Pensou na dor dos meus pés depois de 2 dias viajando, ou simplesmente olhou para elas e pensou "a Bá vai gostar". Poderia ter enchido a casa de flores ou de chocolates (adoro!). Mas ele comprou um par de pantufas, limpou - com o Lucas - o apartamento inteiro e trocou TODOS os tapetes da casa.
Entrei admirada e olhei todos os comodos, reparando nos tapetes - verdes - do banheiro e chuveiro. Ele me mostrou os tapetes do quarto, do hall e da cozinha, falando que estavam bem velhinhos, mas eu sei que ele trocou porque sabe que eu gosto de tudo arrumadinho e limpinho. Até a Tusha (minha tartaruga) tomou banho!
Fomos jantar no Saizeria e pedi o de sempre - mini focaccias, minestrone e capuccino. Ah, e bebi a Pepsi do Beto. Tudo tinha voltado ao normal. Exceto pela ausencia da Amanda.
Acho que o amor é como um fruto. O meu amor está frutificando, a Laís é a prova viva disso.
Meu amor já não é mais verde, mas ainda não amadureceu, está em plena vivacidade. E como todo fruto, está à mercê das intempéries e "predadores". Não falarei deles, pois a vida se encarregará de afasta-los.
O Beto foi trabalhar (esta semana, está de yakin - noite), o Lucas está procurando um filme para assistirmos e eu estou aqui, morrendo de frio, enrolada no cobertor. Como sou um pouco melodramatica, já me ligou 3 vezes, avisando que estava na estrada a 30 km/h por causa da neve, depois que havia chegado na fabrica e a alguns minutos atras, que estava no intervalo do trabalho.
Outro dia, falei para o Keity que não é o amor que mantém um casamento feliz; é a cumplicidade, o companheirismo, a lealdade e o comprometimento.
O amor nos leva ao casamento, mas sozinho, não consegue mante-lo, porque se assim fosse, para reparar certos erros, bastaria dizer "Ela sabe que a amo, vai entender e me perdoar", "Ah, vou fazer (ou não fazer) porque ela sabe que eu a amo e vai me apoiar". É tão facil culpar o amor.
O amor é importante, mas não essencial.
Para as pessoas que estão na fase verde do amor, pode parecer tudo morninho, sem graça e chato.
Na fase verde, tudo é novidade, parece que "uma cabana e amor", "viver de brisa e amor" faz todo o sentido. Nessa fase, nos sentimos poderosos e invenciveis e vivemos egoisticamente.
E não nos damos conta de que é exatamente a fase primordial para o amadurecimento ou apodrecimento da relação.
Ontem, meu amor calçou pantufas novas, bebeu café engarrafado, viu neve (pedi tanto!), tomou banho na hidromassagem e namorou a noite toda, entrando pela madrugada e só parou de manhã. Tudo bem calminho e garanto que não foi nada chato e sem graça.

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