sábado, 5 de fevereiro de 2011

Esperando a vida passar

Às vezes, quando estou triste, fico na janela vendo a vida passar. Às vezes, converso com as paredes. Às vezes, choro no banheiro.
Admito que sou uma pessoa dificil. Defendo minhas opiniões com uma certa resistencia. Mas aceito quando estou errada - não sem luta - mas aceito.
Às vezes, eu queria que um buraco se abrisse e me engolisse para que  nem o CSI conseguisse me encontrar. Eu queria que a vida passasse rapidamente e que tudo virasse pó.
Queria nunca ter que decidir, escolher, ajudar, defender, brigar, amar. Queria que a vida simplesmente passasse pela minha janela e que eu fosse uma meramente espectadora.
Quando criança, li uma historinha da Luluzinha onde ela estava com insonia e ficou acordada ouvindo os sons da madrugada. Gatos miaram, cachorros latiram, guardas apitaram e o lixeiro retirou o lixo. Durante o cafe da manha, ela contou aos pais que ficou maravilhada e surpresa ao descobrir que o mundo não para quando ela dorme. O pai resolveu fazer o mesmo e ficou acordado a noite toda. Na manhã seguinte, frustrado, falou que não escutara o lixeiro. A mulher - rindo - falou que o lixeiro só passava às quartas.
Lembrando dessa historia, fico olhando pela janela e percebo que existem pessoas que vivem independentemente da minha tristeza. A vida segue em frente. O lixeiro não passa todos os dias, mas sempre estará lá, nem que seja um dia por semana.
Na minha ansia de ajudar, acabo sufocando. Protegendo mais que o necessario.
E sofro por descobrir - tarde demais - que as pessoas conseguem se virar sem mim.
Eu me preocupo com o que as pessoas pensam. Eu quero ser aceita, querida, solicitada.
Mas acabo criando inimizades por conta desse meu jeito de ser. Tomo as dores, sim!
E isso esta errado.
"Deixa pra lá" o Beto me diz. "Abandona" minha cunhada costuma dizer.
As paredes não respondem nem me recriminam. O banheiro me esconde, mas não isola o barulho dos soluços. Gosto da janela porque ela me lembra que não sou o centro do universo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário