domingo, 27 de fevereiro de 2011

Hoje não chorei

Japanofobia - fobia por japoneses e sua cultura

Hoje fomos ao Jusco de Higashiura (um mega shopping) pra matar minha saudade. Só olhar, snif...
Peguei alguns folhetos no cinema pra mandar pra Rudy e Nany, minhas amigas do Cartas.Com; olhei a loja Vanguarda (uma loja perdida no tempo - hoje, não quero falar do Japão, então darei detalhes outro dia...) e fomos na Toys"R"Us (loja de brinquedos) procurar um brinquedo que vi na TV e nem preciso falar que fiquei vendo coisas para bebês.
Cheguei animada pra contar pra Amanda tudo o que eu queria comprar pra Laís. Eu e o Lucas sentamos em frente ao computador e pela camera, vimos elas brincando. A Laís achou o pé e já está virando de lado. Me bateu uma saudade enorme dela. Conversei normalmente com a Amanda e no final da conversa, ela disse "vou levar a Laís pra benzer hoje, ela está assustada desde que voce foi embora, foi um sufoco fazer ela parar de chorar no dia seguinte. Ela não pára com ninguem, so comigo e com o Keity "
Eu deveria ficar lisonjeada e feliz ao saber que estou fazendo falta pra minha neta, mas fiquei triste.
Não quero pensar que troquei o Beto e o Lucas pela Amanda e Laís quando fui para o Brasil.
Não quero pensar que troquei Amanda e a Laís pelo Beto e Lucas quando retornei ao Japão.
Sinto que cumpri minha missão de auxiliar Amanda nos primeiros meses da Lalinha.
Desde o primeiro dia, sempre a incentivei a cuidar da Laís. Ela deu o primeiro banho e trocou a primeira fralda. Normalmente as avós/tias/vizinhas/conhecidas/desconhecidas faziam isso. Comigo foi assim. Não tive a oportunidade de "me virar".
Claro que não a abandonei e falei - Se vira! eu ficava atrás, orientando, ajudando e sofrendo por não fazer EU mesma tudo. Teve vezes em que tive que pegar a Laís do colo dos dois, pois ela não parava de chorar e nada tinha consolo. Eu pegava no colo, abraçava e falava mansinho. Ela se acalmava e dormia.
Na primeira semana, Amanda não conseguia dar de mamar, doía, a Lala não conseguia "pegar" o bico. Eu me sentava em frente dela e ficava passando a compressa de agua quente para não empedrar, ficava segurando a Lala de pé, de lado, deitada, só não tentamos de ponta cabeça. Amanda se contorcia de dor e esfregava os pés de nervoso (a Lala tambem, quando esta com sono!). Mandava ficar embaixo do chuveiro pra esvaziar o peito e brigava quando ela não queria usar a esgotadeira. Ficava incentivando e no fim, deu tudo certo. Sei que nesses momentos, eles se sentiam frustrados, incapazes, mas eles eram inexperientes e eu não conseguia ficar impassivel diante do choro que fazia tremer o quarteirão.
Depois que a Amanda disse que eu fiz falta no dia seguinte ao da viagem e que a partir desse dia, a Lala "grudou" nela e no Keity, meu coração ficou apertado, porque sei que ela se sentiu abandonada por mim e esta com medo de perder os pais tambem. Não estou sendo presunçosa, sei porque Amanda quando pequena, chorava rios de lagrimas quando voltava pra casa, apos passar o dia na casa da minha mãe.
Eu não queria abandona-la, mas eu tinha que voltar (meu visto estava vencendo) e eles tinham que viver a vida deles.
Me despedi da Amanda fazendo as recomendações de sempre e dizendo TE AMO.
Jantei e fui tomar banho. No Brasil, eu chorava no banheiro, tomando banho ou sentada no vaso. Aqui, o chuveiro é tão bom que não consegui chorar, mas fiquei uns 30 minutos debaixo da agua quente, tentando pensar que a Lala não me odeia, que ela sabe que  fiz o que achei melhor pra ela. Fiquei rezando pra ela não me esquecer e não chorar quando a pegasse no colo novamente.
Hoje estou com japanofobia (nem sabia que existia) - fobia por japoneses e sua cultura. Se o Japão não existisse, eu estaria no Brasil.



Brincadeira! Eu amo o Japão, na verdade, odeio o dinheiro. É pelo dinheiro que estamos aqui, longe da familia, da minha casa, dos meus cachorros.... da minha filha e da minha neta.



Nossa, essa TPM ainda vai me matar!

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