sábado, 9 de abril de 2011

O que posso fazer?

  • Apagar a luz do comodo que não esta sendo usado
  • Não perder o sentimento de solidariedade
  • Pensar no que as vitimas da catastrofe estão precisando
  • Prestar atenção às informações erradas
  • Não estocar mantimentos
  • Parar de usar o telefone e mandar e-mails desnecessarios
  • Tirar da tomada os eletronicos e eletrodomesticos que não estao sendo usados
  • Deixar combinado um local de encontro em caso de desastres
fonte: revista Alternativa - Japão

Estou digitando com a luz do quarto apagada, tá meio dificil, mas não impossivel. Tá bom... é preguiça de levantar e acender a luz, mas tá valendo, né?
Como fazia um tempo que não postava, resolvi falar sobre o terremoto (pois é, o pesadelo não passou). Lendo a revista Alternativa, achei legal postar trechos de tres entrevistas. Vamos lá.

Entrevista 1 - Ronaldo Jotta, brasileiro que liderou campanha para arrecadar alimentos.

"Encontrei uma senhora com um bebê no colo e entreguei a ela uma lata de leite e fraldas. Quis dar mais uma lata de leite e ela recusou dizendo para entregar a outra pessoa porque o que tinhamos dado seria suficiente para uma semana e talvez tivesse alguém com mais necessidade que ela."

Se fosse no Brasil, esse relato terminaria assim:
Quando entreguei a lata de leite à senhora, ela me disse "só uma? Isso mal dá pra uma semana!"
Infelizmente, depois de ver imagens das pessoas tentando desesperadamente pegar alimentos de um caminhão, após as enchentes no Brasil, temo que essa historia do Ronaldo terminaria dessa forma.

"Minhas ambições mudaram. Antes eu pensava que precisava vencer na vida, ter dinheiro, e partir daí ajudar aos outros. Aprendi que estava errado. Nós podemos fazer agora. Não temos o direito de esperar para ajudar ao próximo."


"(...) mas segui meu coração e quando seguimos a emoção, quase sempre fazemos o certo. Temos que fazer aquilo que a gente sente."


Dias atrás, publiquei no Facebook, um desabafo dizendo que o Japão estava colocando à prova minha lealdade a ele. Nem postei aqui, porque era um desabafo que não me arrependi de faze-lo, mas fui muito dura...
Eu estou longe de Fukushima, tomo meu banho diariamente, faço as tres refeiçoes, durmo numa cama quentinha e o Beto e Lucas estão comigo e seguros. Amanda, Keity e Laís estão no Brasil.
Meu descontentamento por não estar trabalhando parece tão sem proposito e egoista após ter lido essas linhas.

Entrevista 2 - Mio Saito, uma adolescente de 16 anos, está num abrigo com a família, junto com cerca de 350 pessoas

 "Não somos coitadinhos, como a imprensa mostra."
Para ela, é importante que todos saibam que eles estão lutando, levando a vida como podem e confiantes na reconstrução do país, disse a revista.

Entrevista 3 - Marcos Bezerra Abbott Galvão, embaixador do Brasil no Japão

"O Japão tem larga experiencia em apoiar, prestar apoio ao exterior. Não tinha experiencia em receber ajuda."

Achei interessante a forma como o Japão se mobiliza em casos de catastrofes. A organização japonesa é muito eficiente. Primeiro eles montam a estrutura para receber as doações e orientar os voluntarios e a partir daí, começam o trabalho em campo. Trabalham em silencio, sem alarde.
Uma coisa legal é separar o tipo de doação. Alimentos, dinheiro, roupas, etc.
Aichi e Shizuoka receberam a orientação de recolher cobertores. Imagine se todos resolverem doar arroz e ninguem pensar em escovas de dentes. Quem, nesse momento, pensaria em escovar os dentes? Pode ser um item superfluo, mas fiquei sabendo que houve doação de escova de dentes, creme dental, absorvente, sabonete.
Por isso a coisa funciona e acontece. Todos recebem doações por igual, ninguem recebe mais ou menos do que o necessario.
Fazer uma fila quilometrica para receber um onigiri (bolinho de arroz)?
Recebem, agradecem e comem vagarosamente, pois pode ser o unico alimento do dia.
Penso que se fosse no Brasil (poderia ser um pão frances com margarina), as pessoas se revoltariam, quem sabe queimariam os colchões - brasileiro adora queimar coisas - em protesto. Depois o governo mandaria novos colchões acompanhado de um marmitex.
Aqui existem falhas, saqueadores e golpistas se aproveitando da dor alheia. O Japão não é um país perfeito e eu amo o meu país. É no Brasil que quero viver meus ultimos dias; é no Brasil que está minha casa, meus cachorros, meu cantinho.
Brasileiro tem uma coisa que japoneses não possuem: a emoção impulsiva, não controlada, exagerada.
Se eu encontrasse um amigo agora, depois de muito tempo sem ve-lo, o abraçaria, quem sabe até o beijasse.
Japoneses ficam parados, um de frente para o outro, se cumprimentando curvando o corpo. Mulheres ficam  a meio metro de distancia acenando uma para a outra, como se houvesse uma barreira invisivel entre elas. Pais e mães choram pelos filhos, mas não os abraçam.
Todos com vontade de se tocar, com o olhar suplicante, mas essa barreira os impedem de se aproximarem.
Nas novelas, as cenas que contem abraços e beijos são artificiais, pelo menos, é essa a impressão que me causam. Beeeeem diferente das cenas das novelas da Globo.
Varios programas de TV questionam esse comprtamento, ficam analisando, tentando achar uma explicação.
Eu tenho a solução para eles.
Quando chegar em casa, agarre sua esposa e dê um beijo cinematografico nela, de lingua.
Se o seu chefe pegar no seu pé, mande ele se f*. e arranje outro emprego.
Abrace seus filhos, eles não mordem.
E adote uma criança, ao invés de um cachorrinho-super-mega-fofo.


GAMBARE, NIPPON!

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