segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma foto não pode se esconder atrás de uma mascara

Numa tarde cinzenta, um vidente sentado na calçada, fazia previsões e adivinhava o futuro das pessoas, na maioria deprimidas e inseguras.
Sobre um tapete, haviam varias fotografias espalhadas e minha amiga acabara de escolher uma delas, mentalizando uma pergunta.
"Verdadeiro", disse ele sem olhar para ela. Minha amiga começou a chorar e eu ri, balançando a cabeça não acreditando naquela bobagem.
O homem estendeu as mãos, segurando um leque de fotos, pedindo que eu fizesse uma pergunta.
Pensei em mil coisas engraçadas e por um momento, fiquei seria e mentalizei "harmonia na familia".
Desde que minha mãe e minha avó morreram repentinamente, ano passado, tenho sonhado com elas. Tudo ficou confuso, varias coisas aconteceram, sentia como se minha vida estivesse numa montanha russa, viajando a uma velocidade dificil de controlar.
Nas mãos do vidente, estavam fotografias de familias, e uma me chamou a atenção, a de um senhor em pé, sozinho. "Será que é o dichan? Será que ele quer dizer alguma coisa?", pensei.
Resolvi escolher a fotografia de uma familia num piquenique - pai, mãe, crianças. Mas ao entregar a foto, percebi que não era a que eu havia escolhido. Pedi para rever  todas.
Ao passar os dedos pelas fotografias, vi que eram fotos antigas da minha familia e não mais de desconhecidos, como no começo da consulta. Fotos do meu tio, criança. Fotos de minha mãe, de minha avó. Fotos do Lucas e da Amanda. Fotos antigas e amareladas, que estavam guardadas em uma gaveta, na casa de minha mãe.
Falei para o vidente que aquelas fotos eram minhas e que ele as tinham roubado. Um outro homem chegou com um pacote embrulhado em papel branco e nele estava escrito meu nome. Tive certeza de que eram mais fotos.
 Nesse momento, a policia chegou e o homem se escondeu numa casa abandonada. Ouvi tiros e tudo ficou em silencio...
Andando pela rua, vi um envelope caido no chão e ao me abaixar para pega-lo, uma criança já estava com ele nas mãos. "Pediram para lhe entregar isto". Com as mãos tremulas, tirei do envelope, fotos da Amanda, vestida de noiva, feliz, sorrindo. Fotos da minha familia, unida e feliz.
Chorei, agradecida. Eu tivera minha resposta.

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