domingo, 3 de julho de 2011

Querido diário

Fazia tempo que não publicava no meu diário. Como estava na TPM e nessa epoca fico meio ET, fiquei com vontade de escrever pra ele e falar sobre as diferenças que sinto, vivendo no Japão.
Eu adoro o Japão, mas não gostaria de ter nascido japonesa. Não é discriminação nem racismo, muito menos japanofobia que eu nem sabia que existia!
Desde criança fui extrovertida, faladeira, de lingua solta. Tinha mil amigos, mil namorados e milhões de vontades e sonhos. Não tinha medo de nada e encarava as dificuldades com alegria e otimismo.
Hoje, não sei se é a maturidade, mas estou bem mais tranquila.
Brasileiro nasceu para viver na alegria, apesar dos problemas. Churrasco para os amigos todo fim de semana e se não tiver carne, faz sem carne, só com pão e maionese. Pode faltar dinheiro, mas não falta sorriso e carnaval.
beijo, só em campanha publicitaria
Brasileiro abraça, beija, pega na mão, pega no pé e onde mais voce quiser. Não tem vergonha de beijar nos bancos da praça nem de andar de mãos dadas, não tem vergonha de fazer carinho na amada.

Brasileiro tem casa de tijolo, de madeira, de barro e tem quintal com cachorro solto. Cachorro brasileiro pode latir a vontade, anda pelado e não usa chapéu nem sapatinho.
Brasileiro é verde, amarelo, roxo, azul, rosa, vermelho, gosta de cinza e preto, mas não é obrigatorio.
As casas do Brasil tem muro rachado, goteira, porta de ferro com janela de madeira e portão enferrujado que só abre quando quer. A minha casa tem um quintal enorme, com um pé de limão no fundo, que além de dar limão, é o esconderijo da Sofia, que se esconde embaixo dos espinhos pra não tomar banho.
Eu adoro o Japão, com suas casas Lego, maquinas automaticas de bebida, cigarro, pão, lamen, sorvete, fotografia e brinquedinho espalhadas pelos 4 cantos.
Adoro os tijolos que não são tijolos, o piso de madeira que de madeira não tem nada, mas engana até o super homem com sua visão de raio-X. No Japão, voce pode ter grama dentro de casa - artificial. Vem em blocos e voce vai montando como um quebra-cabeça.
No Brasil, todo mundo quer entrar ao mesmo tempo nos trens e onibus, disputando o primeiro lugar na fila, aliás, no Brasil tem fila pra tudo: banco, INSS, supermercado, metro, banheiro publico.
Aqui, também tem fila, mas parece que estamos na escola, todo mundo em fila, alinhado e esperando pacientemente a sua vez. Ninguem é fura-fila, só eu quando estou com muita pressa, mas eu sou brasileira, eu posso (que coisa feia, Claudia!).
No Brasil, os homens cedem seus lugares às mulheres, são cavalheiros. Abrem a porta do carro, do restaurante para suas namoradas. Aqui, os homens entram primeiro, as mulheres seguem atrás.
Ouvi dizer que os japoneses deixam suas mulheres atrás para as protegerem do perigo que vem pela frente.
Meu marido prefere ficar atrás, pois assim me protege do que vem por trás e fica de olho no quem vem à frente. Abre a porta dos restaurantes e a porta de casa pra mim, e quando passo por ele, me segue segurando a cintura. Na calçada, nunca me deixa do lado da rua, diz que se um carro perder a direção e subir a calçada, eu fico protegida por ele. Meu marido é o super-homem, o meu anjo-da-guarda e é BRASILEIRISSIMO.
Acredito que os japoneses amam suas mulheres, mas de uma forma tão contida, que se eu fosse japonesa, eu tratava de desvirar rapidinho.

No Brasil a melancia é redonda e a gente leva na cabeça.
Melancia japonesa é quadrada pra caber na geladeira.





Uma coisa que adoro aqui >  Todo mundo pode se vestir como quiser, pode usar tudo misturado, chinelo Havaianas com terno e gravata, homem usa chinelo da Hello Kitty e bolsa rosa, as mulheres são lady Di num dia e lady Gaga no outro.


Os adolescentes japoneses são muito carinhosos uns com os outros, mas também crueis. Como no Brasil, eles saem em grupos e são muito alegres.

Eu sou brasileira, não nego, mas queria ser um pouco japonesa, elas são tão chiques e altivas. Eu quero entrar num buraco e não sair nunca mais quando vejo uma japonesa de vestido e salto alto, com bolsa combinando; com vestido cheio de babados e laços e colar de perolas - verdadeiras; com a maquiagem impecavel, sempre com duas bolsas - uma normal e outra pra carregar obento. Eu, no meu jeans, camiseta e tenis. Um dia, resolvi colocar uma mini saia, botas de salto, casaquinho pra ir ao supermercado - de bicicleta. O Beto me olhou e perguntou: onde voce vai assim?
Troquei de roupa e fui feliz da vida, usando uma bermuda e camiseta.
Estou tentando encontrar um equilibrio, uma mistura saudavel de Brasil-Japão, afinal, nasci brasileira, mas em mim, corre sangue japones herdado dos meus avós.

3 comentários:

  1. kkkkkkk
    Amei seu post Claudia!!!
    Você escreveu tudo!!!
    Realmente ser um pouco japonês é muito legal!!!
    Brasil e Japão tem suas diferenças e são ótimos!!!
    O difícil é equilibrar os dois... rs
    Abraxos.

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  2. Oi claudia meu nome é viviane! Você tem muita sensibilidade ao falar do japão, eu sou brasileira e não tenho descentes no japão, mas gostaria de ter... eu não me indentifico com o Brasil, me sinto fora, deslocada... Amo o japão como se fosse meu verdadeiro lar, nunca estive lá, mas sonho em um dia estar...
    Tenho medo de sofrer em um relacionamento, porque sei como os japoneses são com as mulheres, eu namoro um japonês e já vi como agem...
    Mas o japão é meu sonho, minha vontade de um dia poder me sentir de verdade em casa...

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    1. Ola, Viviane!
      Eu adoro morar aqui, e fico feliz por voce gostar tanto do Japão.
      De uns tempos para cá, eles mudaram um pouco e se voce tiver muita paciencia e amor, tenho certeza de que o seu namorado vai te respeitar e te amar muito! Fico te esperando aqui, hein?
      O Brasil tem o seu lado negativo, mas ele é caloroso. O Japão tem o seu lado positivo, que é... Rsrs. Voce vai descobrir, quando vier. Beijos

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