sexta-feira, 7 de outubro de 2011

É errado achar errado?



Uma das coisas que mais me orgulho de ter ensinado aos meus filhos foram os valores morais: honestidade, dignidade, humildade, solidariedade.
E o que me tira do sério é a falta de algum deles em uma pessoa.
Uma historinha pra ilustrar:

Quatro amigos trabalham juntos . Vão para o trabalho,  fazem intervalo e voltam pra casa ... juntos.
Conversam, trocam sonhos e reclamam do chefe. Aparentemente, uma amizade pra vida toda. Aparentemente, eu disse.
Um dos quatro amigos - que chamarei de vermelho -  está tendo dificuldades em permanecer em pé por horas sem sentir dores na coluna e fica no "ah, não aguento mais, vou sair.  Onde eu trabalhava, ganhava mais e trabalhava menos" o dia inteiro. Os outros tres tentam anima-la em vão. A cada tentativa, novos lamentos.
Resolve então vender o uniforme para o amigo - azul - a um preço inferior ao que irá pagar à empresa. Seria um bom negocio se esse amigo não resolvesse sair também.
A "negociação" aconteceu na semana anterior à decisão de azul de deixar a empresa. vermelho ficou de entregar o uniforme na sexta feira. azul comunicou a saída na quarta feira, e já havia pago antecipadamente, no dia da "negociação".
Ao saber da decisão de azul em sair da empresa, vermelho resolveu entregar o uniforme na quinta feira, pois ambos parariam na sexta feira.
Tudo bem até aqui? Tá dando pra acompanhar?
Bom, restam os outros dois amigos - verde e rosa.
rosa, então, perguntou a vermelho: "mas o azul vai sair, você vai vender assim mesmo?"
"Coitado do azul", falou verde.
"Ah, mas o negocio foi feito na semana passada e ele já pagou. Acho que ele vai dar pro primo."
"Mas o tamanho é S, o primo usa 4L", falou rosa - na verdade, o uniforme seria para a esposa, que também decidiu sair.
"Ele não falou nada, deixa quieto. Eu já gastei o dinheiro."
rosa e verde balançaram a cabeça, reprovando a atitude de vermelho.
rosa teve seu uniforme "emprestado sem devolução" - leia-se roubado - então decide comprar de azul, mas vermelho pergunta - leia-se intimida - "você vai ficar com o uniforme mesmo, ne? se quiser devolvo o dinheiro." "Não, de boa. Não esquenta a cabeça", respondeu azul.
"Vocês viram eu perguntei. Não to enganando ninguém." Mas mesmo assim, resolve devolver o dinheiro.
Nesse momento, passa uma menina e vermelho pergunta: "que numero é esse uniforme? não quer comprar o meu, porque eu vou sair".
rosa entrou em choque! Como ela tem coragem de oferecer pra outra pessoa se rosa se ofereceu pra comprar, caso não ganhasse outro da empresa. Levanta indignada e se retira, chateada.
vermelho então, vai atrás e fala "você ficou brava? eu te dou o uniforme, o dinheiro não vai fazer falta pra mim.". rosa fala "não, tudo bem, não quero", ela tem quase certeza de que ganhará outro, mas quis comprar porque achou um absurdo vermelho manter o negocio, mesmo sabendo que o uniforme seria inútil para azul.
A discussão se estendeu até o local de trabalho e nesse momento, rosa viu a verdadeira face de vermelho.
"Eu não gosto que as pessoas se metam na minha vida. Eu fiz negocio com o AZUL, você não tinha que se meter. Brigar por causa de dinheiro. Dinheiro é amaldiçoado mesmo. Eu não enganei ninguém. azul não é criança, tem mais de trinta anos."
Quanto mais rosa tentava se explicar, mais vermelho ficava colérica: "Você tá tentando reverter a situação, tá me atacando por que? Eu não ia fazer a cabeça do azul contra você, só ia pedir pra ele vender pra mim, só que você ofereceu pra menina."
"Mas você não deu certeza se vai comprar ou não. Agora eu já devolvi o dinheiro. Pior que esse dinheiro era pra comprar umas coisas que meu marido pediu." rosa resolveu encerrar a discussão e trabalhar.
No intervalo, rosa ainda tentou explicar porque tinha ficado chateada, mas vermelho se recusava a ouvir. Falou: "você fez uma coisa que eu não faria. Eu disse que não tinha certeza se compraria, porque eu não sei se a empresa vai me dar outro uniforme e esse valor, pra mim, é muito! Ele vai sair, mas se eu resolvesse comprar, eu ligava e pegava outro dia. Você se adiantou e ofereceu pra primeira pessoa que passou, mesmo sabendo que eu não tenho uniforme."
verde - um doce de pessoa - também se manifestou: "pensei que você falou brincando, porque não é certo isso. rosa falou que comprava de você, porque ela ta sem uniforme e a outra tem."
verde também tentou ajudar na nova negociação com a menina, falando que tava barato, etc. - mas deixa pra lá, ela é um amor, só tava tentando ajudar todo mundo.
rosa perguntou para azul: "o que você vai fazer com o uniforme?"
"Na verdade, eu ia dar pra minha esposa, mas ela saiu, agora... deixa pra lá"
"Eu ia  falar que comprava de você".
 "Ah, isso ia ser uma boa".
Ficou bem claro que azul tem um coração bom. Não foi enganado, apenas manteve o acordo.

Já descobriu, ne? Eu sou rosa, muito prazer.
Beto diz que sou igual a um caquinho de vidro; pequena, carinha de fragil, uma menininha (odeio ser chamada de menininha). Talvez por isso as pessoas ou se penalizam, ou me acham engraçadinha ou apontam o dedo no meu nariz, gritando.
O que as pessoas não sabem é que não sou vidro comum, sou feita de vidro a prova de balas.

Essa minha amiga (ex-) trabalhou por um tempo num lugar onde valores morais são deixados para fora.
Mesmo sabendo disso, a recebi com todo carinho no meu coração. Beto ficou contente quando falei que ia me encontrar com minhas novas amigas. Parece que voce gostou delas, ele disse. Fiquei muito contente, porque todas as suas amigas tão no Brasil ou ficaram em Nagoya.
Dessa vez, me permiti abrir o coração sem reserva, sem timidez.
E mais uma vez, me decepcionei. Sei que as pessoas não são perfeitas. Eu não sou perfeita. O mundo está longe de ser perfeito.
E o que me irritou mais, foi ela passar a noite toda tentando falar comigo, puxando conversa, mostrando para todos que ela era magnanima, que havia se humilhado me pedindo desculpas e que eu a estava tratando friamente. Como poderia aguentar tanto cinismo? Não depois de ela ter apontado o dedo no meu nariz, falando pra não me meter na vida dela. Isso ela fez, longe dos olhos de todos.
Talvez ela tenha percebido em azul, um cliente em potencial.
Talvez, de tão habituada a seduzir os homens para que consumam bebidas no clube onde trabalhava, não tenha percebido que estava usando de sua arte para enganar seu amigo. Talvez não tenha agido de má fé, talvez não tenha percebido que estava agindo como uma oportunista.
Só sei que algo se quebrou dentro de mim. Eu posso ser cruel às vezes, quando exagero na sinceridade e uma vez quebrado esse elo, não consigo emenda-lo.
Estou decidindo se publico ou não este post... Me sentei aqui, às 5 da manhã e  já são 9 horas. Fiquei escrevendo por 4 horas...Como eu já disse, não posso negar a existencia das pessoas que passaram pela minha vida, mas tem momentos em que gostaria de ter uma borracha e poder apagar certas coisas.
Será que eu estaria em paz com minhas convicções, com meu jeito de ser, se não tivesse falado nada e deixado o assunto pra lá, acrescentando mais uma injustiça a esse planeta tão complexo?
Será que foi errado achar errado? Afinal azul não reclamou nem pediu o dinheiro de volta. Coisas de quem tem o coração bom demais pra dizer não.







3 comentários:

  1. Que história hein! Se fosse comigo, ficaria nervosa na hr. Meu marido me chama de chorona e inocente e ele tem razão! Acredito nas pessoas com muita facilidade e me apego muito rápido. Quando me sinto traída de alguma forma eu não consigo esquecer o que a pessoa fez, pra mim a pessoa deixa de existir daquele momento em diante mas seus atos ficam me martelando sempre que a vejo novamente. Infelizmente o mundo está cheio de gente assim.

    Bjs
    Diana

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  2. Claudia, a Diana tem razão, infelizmente...
    Gente assim tem muito pelo caminho!
    Eu já fui muito chorona, hj me controlo bem mais, assim como tento não me aborrecer com tantas coisas que me aborreciam antigamente...
    A gente vai calejando!
    Mas oq vc disse tb é verdade, não dá pra ficar apática diante de uma injustiça... É como compactuar com ela! Não é assim?!
    Você fez sua parte, fique tranquila!
    E desabafar tb é muito bom! Apesar de já ter deletado muitos posts antes de publicar, rs...
    Quando vc compartilha uma experiência, ela pode servir de exemplo para outras pessoas ou, pelo menos, propõe a reflexão!
    Um beijo e boa sorte nas próximas experiências por aí!
    ^^

    "Sei que as pessoas não são perfeitas. Eu não sou perfeita. O mundo está longe de ser perfeito."

    É esse pensamento que devemos manter!
    E sermos felizes!
    No meio de tanta imperfeição sempre encontramos algo de bom, temos que continuar garimpando!
    ^^

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  3. Claudia,

    fez bem um publicar seu post.
    É bom para que possamos lhe conhecer melhor e ver o que anda acontecendo por ai...
    Infelizmente acontece sempre...
    Eu passei por umas poucas e boas nos ultimos tempos...
    Mas, não tenho coragem de escrever, na verdade, quero esquecer...
    Acredito que mais cedo ou mais tarde conhecemos as pessoas de verdade...
    Ninguém é perfeito e tudo dura o tempo que tem que durar...
    Pelo menos penso assim...
    O importante é você ter feito sua parte...
    Beijos

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