segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Meu amor tem quatro patas


SOFIA

Amanda me acordou falando que os cachorros estavam nascendo, que o Nick foi no quarto dela e a acordou.
Fomos para a sala e o primeiro já tinha nascido - o Gigio.
Fiquei com Sofia até as 6 da manhã e o ultimo a nascer foi  Peto.
Quando encontrei Sofia e seus irmãos no cemiterio, não pensei duas vezes. Voltei pra casa e falei pro Beto "vamos buscar um cachorrinho". De volta ao cemiterio, conversamos com o vigia e ele nos explicou que foi deixado, no portão, uma caixa de papelão com os filhotinhos. Não foi a primeira vez que isso tinha acontecido, as pessoas sabiam que ele cuidaria. Reparamos que os filhotes tinham sido alimentados com leite e ração.
Escolhemos a Sofia por ela ser a mais fraquinha e doente. Quando chegamos em casa, Amanda ficou sentada com ela na calçadinha até que Nick se acostumasse com ela e não pensasse que ela fosse uma ameaça ao seu trono.  Não sei por quanto tempo Amanda ficou tirando os vermes que insistiam em sair. Ia puxando um por um. Todos os dias, ela se sentava com a Sofia no colo pra tirar as pulgas - ela era muito pequena para tomar banho.

Sofia, um mes depois de chegar em casa

Nick adorou Sofia

Era assim, todos os dias



Pena que não tenho todas as fotos pra postar, pois ficaram com Amanda. Depois peço para que ela me mande. Por enquanto, estas bastam.


BOLAS DE PELO 


Depois do "namoro", quatro bolinhas de pelo corriam pela casa. Um dos vidros da porta da cozinha foi quebrado pelo meu sobrinho, num jogo de bola e esse buraco passou a ser usado pelos pequenos como passagem para o "Mundo Maravilhoso Que É Dentro de Casa". E assim foi até o dia que só passava a cabeça deles. Enquanto fazia almoço ia chamando um de cada vez e lá ia uma salsicha ou um pedaço de carne. De manhã, cada um aparecia pra receber um pedaço de pão.
Muita gente, simplesmente não acreditava que os filhotes tinham nascido na sala, do lado do sofá. Na verdade, Sofia tinha escolhido um buraco no chão, no fundo do quintal, perto da bancada de ferramentas. Peguei o pano que ela fez de ninho e levei pra sala. Ela pareceu aprovar o novo lugar - ficava entre o sofá e a mureta da sala. A cada nascimento, ela comia a placenta, limpava o filhote e deixava o lugar limpinho. De manhã, parecia que nada havia acontecido, exceto pelas quatro bolinhas peludas penduradas nas tetas dela.
Passamos a ser uma familia formada por:
  • Beto - o "Que Dava o Pão"
  • Claudia - a "Que Colocava pra Fora"
  • Amanda - a "Mãe da Sofia"
  • Lucas - o "Pai do Nick"
  • Sofia - a mãe
  • Nick - o pai
  • Gigio - o "Orelhudo"
  • Nick Junior - o "Espertinho"
  • Sara - a "Dengosa"
  • Peto - o "Meigo"
Não podiamos ficar com todos e Gigio foi para a casa de uma amiga da Valeria, minha cunhada.. No mesmo dia, nos arrependemos, mas já era tarde demais... Nick Junior foi para a casa do meu tio. Ficamos com os quatro restantes.
Assim me apresento aqui , no blog: "quatro cachorros e uma tartaruga".

PETO

Um dia, senti algo estranho e corri para a janela do quarto. Já sabia antes de olhar: o portão estava aberto. Chamei um por um e Peto não apareceu. Liguei para Beto e falei que Peto tinha fugido. Ele voltou e procurou por todo o bairro. Um dia se passou. Dois dias se passaram. Dois dias chuvosos. Eu chorava o dia todo. Resolvi fazer uns cartazes e pregar nos postes. Beto, na hora do almoço e a noite, rodava com o carro procurando pelo bairro. No terceiro dia, de manhã bem cedo, calcei botas e com os cartazes e fita numa mão e sombrinha na outra decidi que naquele dia eu iria achar Peto.
Saí pelas ruas chamando por ele. De repente ouvi um latido bem longe e tive certeza de que era ele. Parei em frente a um portão e pensei "será que alguem pegou ele?". Gritei o nome dele, sei lá quantas vezes. O latido ficou mais forte e vinha da entrada de uma canaleta de esgoto. Lá estava ele, lá embaixo. Tentei puxa-lo pelas patas mas não tive forças, ele era muito grande. Deixei tudo lá mesmo e falei "Peto, eu já volto! Prometo que venho te buscar" e saí correndo. Quanto mais queria correr, mais minhas pernas ficavam pesadas pelas batidas do meu coração. Olhei para trás e ele estava correndo atrás de mim! Paramos e ficamos nos abraçando, ele me lambia sem parar e acabei ficando suja de lama dos pés à cabeça. As crianças olhavam pela janela sem acreditar.
Tomamos banho juntos, no chuveiro. Essa historia foi contada e recontada para os amigos incontaveis vezes.

Quando Peto pegou uma virose, quase o perdemos. Ele ficou muito fraco... só podia tomar uma colher de agua a cada duas horas e pouquissima ração. O veterinario nos alertou para que fechassemos bem a porta do banheiro e não deixassemos louça dentro da pia. No quintal nada que pudesse guardar agua de chuva. Se ele bebesse agua demais ou comesse demais, vomitaria e isso seria extremamente doloroso para ele. A cada duas horas davamos uma colher de agua e abriamos a porta para que ele fosse no quintal fazer xixi. Quando ele queria sair, ia ao nosso quarto e encostava o focinho no rosto do Beto. Perguntavamos "o que voce quer? Xixi, cocô ou agua?", ele só olhava pra gente, se virava e ia caminhando bem devagar em direção à porta da cozinha. Beto e eu nos revesavamos.
Uma noite, fiquei com dó e não aguentei, dei uma colher a mais de agua. Meu Deus, que besteira, eu fiz! Ele começou a ter espasmos e vomitou. O veterinario disse que teriamos que começar tudo de novo, pois o estomago dele se machucava, a cada esforço para vomitar.
Durante o dia, Sara ficava com ele, deitada ao seu lado, com a cabeça apoiada nas suas costas.
Peto era muito apegado a mim, me olhava com aqueles olhos enormes e me perguntava a cada instante "voce me ama?" e eu respondia "claro! agora deixa eu trabalhar?".


SARA

Tudo ia ficar bem se a Sara não resolvesse repetir a travessura do irmão.
Por que toda vez que algum cachorro foge de casa, chove?
Procurei Sara nos mesmos lugares e teria sido mais que coincidencia se ela estivesse no mesmo lugar, né?
Meu tio ligou e falou que talvez fosse a Sara que estava escondida embaixo de uma arvore perto de casa. Ele tinha chamado por ela, mas ela apenas rosnou. Pequei a coleira e descemos correndo a rua. Não acreditei! Era ela mesmo. Ela estava assustada e machucada e não queria sair dali. Chamei "Sara!" e ela não me reconheceu. Quando falei "vem, nenê!" , ela levantou a cabeça e veio rebolando e dizendo "voce me encontrou, voce veio me buscar! tava com tanto medo". Sim, eles falam comigo.
Sara também tomou banho de chuveiro.
Depois disso, os dois nunca mais sairam pelo portão sozinhos.
Sara come deitada, com a pata esquerda esticada, abraçada ao prato de ração. Pergunto: "tá gostoso?". Ela dá uma rebolada, balança o rabo e esperneia. Acho que isso significa um "SIM".
Quando ela entra pela sala, vem toda dengosa, rebolando, balançando o rabo. Beto faz cocegas nela e ela se esparrama no chão de costas, com as pernas abertas. Safada!


NICK

Nick é o rei absoluto,  não deixa ninguem chegar perto enquanto come - deitado. Come bem devagar e concentrado. É muito carinhoso e adora se agarrar nas pernas das pessoas. Constrangedor para a pessoa que é agarrada, engraçado para quem ve. Aparece por trás e se enfia entre as pernas da gente pedindo carinho. Adora esfregar a cabeça nas nossas pernas.



OS QUATRO MOSQUETEIROS




Beto comprava pão fresquinho pra dar todas as noites, um pra cada. Ensinou todos a se sentarem em fila pra receber "O Pão de Cada Dia".


Sofia fazendo carinho na Sara

Peto, com ciumes

dá um chega pra lá na Sara

e toma o lugar dela

Sara fazendo carinho no pai

A casa cheirava cachorro, tirava toneladas de pelo todos os dias com a vassoura. Dia de chuva era "Dia De Lavar A Cozinha", pois o chão ficava cheio de marcas de patas e os armarios pintados de "Rabadas de Barro". A sala tinha quatro "Tapetes de Pelos", um em cada canto e ai se um "tapete" resolvesse ficar no lugar do outro. "Tapete Sara" ficava sob os meus pés porque era o mais peludo e o que mais me esquentava. "Tapete Sofia" ficava atrás do sofa. "Tapete Nick" ficava bem no meio do caminho, entre a cozinha e a sala tentando evitar que "Tapete Peto" passasse. Pedia, então, com aqueles olhos de "vem me buscar!" e lá ia eu, segurar o Nick pra ele passar. 
Não pensem que a casa era uma anarquia por causa deles. A casa tinha regras.
  • Não pode subir no sofá - Sara fingia que essa regra não era pra ela.
  • Não pode apoiar as patas na mesa - deveria ter mudado para focinhos, depois que eles cresceram.
  • Não pode entrar no meu quarto - exceto em caso de emergencia.
  • Não pode pegar o pão do outro, tem que esperar a sua vez - Sofia enterrava o dela, Peto ia e desenterrava. Acho que ela não gostava de pão, mas não queria magoar Beto, então pegava.
  • Quando ouvir "FORA", é pra ir pra fora - Nick fingia que era surdo. Eu chegava bem perto dele e falava de novo. Ele se levantava bem devagar e ia a passos de formiga, ofendido.

DOR, DOR, DOR, DOR, REVOLTA, SAUDADE

Quando passava alguém pela calçada, os quatro saiam escorregando pelo chão e iam avisar que era "estritamente proibido" passar por ali. Um cachorro incomoda muita gente, quatro incomodam muito mais.
E talvez, por esse incomodo, alguem tenha resolvido se livrar desse "incomodo".

Essa é a ultima foto que tenho da Sara e Peto. 
A resolução das fotos deste post não estão muito boas, porque foram feitas pelo PrtSc, tiradas de videos.
Semana passada, à noite, alguem jogou veneno pelo portão e os dois - os "Boca de Tubarão" comeram.
Amanda viu Sara cambaleando e vomitando, indo se deitar no fundo do quintal. Keity a pegou no colo e deixou com Amanda e tentou ligar para o veterinario, mas era tarde demais... Sara morreu nos braços dela.
Peto ficou internado na clinica por tres dias e não resistiu. 
Senti tanta dor e chorei tanto pela morte da Sara, que fiquei preparada para o que fosse acontecer com Peto. Quando soubemos que ele tinha morrido, não chorei. Não senti nada. Acho que entrei em choque. 
Não sinto raiva da pessoa que fez isso e não me interessa o que vai acontecer com ele. Nem a justiça dos homens, nem a justiça divina vai diminuir minha dor, nem vai traze-los de volta. 
Será que o luto é assim? As pessoas entram em estado de letargia? Ficam sem reação?
Pedi o laudo do veterinario pra lavrar um TCO e espero que a policia descubra quem assassinou meus cachorros. Só quero pedir uma coisa: que essa pessoa seja proibida de passar pela minha rua. 
Sabe aquele ditado: Os incomodados que se retirem.
Se meus cachorros incomodam com seus latidos ao passar pelo portão, por que simplesmente, não atravessam a rua?? Por que passar colado ao portão? Por que cutucar e jogar pedra? Por que jogar veneno?







5 comentários:

  1. Eu tenho 5 cachorros. Pretinho apareceu num dia de carnaval. O Pinck a dona não pôde mais criar. Momo é o vovô da matilha e Raposinha e Amarelinho são os irmãos grudentos. Eu tinha a kimi que ficou comigo uns 2 meses mas morreu envenenada, ela passou fome com a antiga familia e quando veio pra cá comia tudo o que encontrava na frente, os meus 5 não comem nada que encontram pelo chão e deve ser por isso que ainda não morreram envenenados. Sempre gostei muito de gatos mas aqui em casa não posso ter pq sei que irão morrer.

    Tem gente que nasce pra fazer maldade, pessoas assim tem em todo lugar.

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  2. O Nick e a Sofia são super desconfiados. Tudo que a gente dá, eles cheiram primeiro e abrem a boca bem devagar pra pegar. A Sara e o Peto eram esganados, comiam tudo que aparecia pela frente...

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  3. Claudia,

    tenho três desses pequenos aqui em casa...
    Quando li seu post nem teve como eu não me emocionar e chorar...
    Não sei qual seria minha reação se fosse comigo...
    A única coisa que sei é que tão como você, não consigo entender o por quê que essa pessoa fez isso...
    A única coisa que tenho certeza, é que com certeza essa pessoa não conseguirá escapar da justiça Divina...
    Podemos esconder das pessoas as coisas erradas, mas nunca de Deus, pois Ele tudo vê, tudo sabe...
    Melhoras...

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  4. Fiquei muito comovida com esse relato. Na casa da minha mãe temos 3 cachorros: Astor - meu eterno bebê, Mel - o cotoquinho da casa e Betty - versão feminina do Astor. A Mel e a Betty são muito mais novas q o Astor, talvez por isso não pensem muito antes de devorar tudo q aparece pela frente... Bom resumindo... o vizinho da minha mãe tentou matá-los 2x, as duas vezes com chumbinho, graças à Deus, conseguimos salvá-los, O Astor foi o único q não comeu, minha mãe foi na delegacia, fez o B.O., mas infelizmente como não haviam provas... o delegado aconselhou q minha mãe colocasse câmeras de segurança, qdo aconteceu o segundo atentado, o delegado mandou uma patrulha pra olhar a casa e questionar os vizinhos... e bateu na casa do dito cujo, hoje a casa toda está cercada por câmeras, ligadas à internet, para monitoramento constante, e sorte a dele q eu estou aqui no Japão, porque não sei do q eu seria capaz de fazer com ele se caso um dos 3 morresse...
    Muita saúde pros seus bebês, espero q Deus continue a protegê-los.

    PS.: o cara se diz crente!!!!!!!

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  5. O mais incrivel é que acho que essa pessoa deve ter cachorro na casa... O coitadinho deve ficar amarrado e com certeza deve estar sofrendo maus tratos...

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