segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Cheirinho de pastel de feira e café - parte I

Dei chilique no sabado. E não to na TPM!
Acho que cansei do Japão.
Lendo a revista Alternativa desta quinzena, concordo com o que a Cynthia,  uma leitora escreveu sobre sentir falta da diversão e alegria do Brasil e que para a maioria dos brasileiros, a unica distração é ir ao depaato, suupaa.
Eu gostava de ir ao JUSCO que agora é AEON e ao ¥100 shop. Hoje, eu nem tenho vontade de sair de casa, porque com essas crises e essa instabilidade, não tenho coragem de comprar nem um par de meias novos - é exagero, mas melhor prevenir, né?
E quando a cabeça fica vazia, pensamentos melancolicos invadem e tomam conta da gente. Enquanto estou preocupada com coisas do tipo compro uma bolsa rosa ou amarela? lanche no Mc ou KFC? não fico me lembrando de como o Brasil me faz falta.
 HAHAHAHAHAHA Quem ler isso, vai achar que sou completamente futil. É só um disfarce. Não sou assim, mas ultimamente to tentando me camuflar um pouco, tentando esconder a Claudia das pessoas, deixando que pensem que essa que está escrevendo é uma mulher materialista, mimada e cheia de frescuras.
To um pouco cansada de me expor tão abertamente, mas falar das minhas saudades não vai me matar ne?
Então, acrescento: Sinto saudade de comer pastel na feira, de andar pelo Brás e ouvir "aí freguesa, blusinha por R$5,00", "moça bonita não paga, mas tambem não leva". E pão frances com manteiga na chapa, aquele da padaria da esquina?
Saudade do sol entrando pela porta da cozinha, à tardezinha. Saudade de tomar café passado em coador de pano. Saudade do bolo simples da Dita (minha sogra) e das conversas e risadas à mesa. Pode me chamar de louca, mas sinto falta da fila do supermercado, da fila do crediario das lojas. Fila de banco não, porque fila de banco só pra pagar conta.
Fazer compras no Carrefour uma vez por mes e depois passar no Habib´s. Começar o dia com Mais Voce, passar para o Mulheres, voltar para o Vale a Pena Ver de Novo, Sessão da Tarde, Malhação, Novela das Seis, das Sete e das Nove, não importa qual seja. Jornal Nacional, pra ver as noticias ruins do dia e depois terminar com Jô. Ah! e A Grande Familia? Eu esperava a semana toda pra assistir. Aqui no Japão, com umas certas facilidades, eu posso ver qualquer episodio quando quiser.
No Brasil, pra ver novela, tinha que aguentar todos os comerciais, aqui como num passe de magica, os comerciais nem existem. Sem graça ne?
No Brasil, dava tempo de ir ao banheiro ou de pegar umas bolachinhas. Alguem gritava JÁ COMEÇOU e a gente voltava correndo. Perdeu a cena? Azar o seu. Perdeu o beijo? Agora só na imaginação. Nada de pause/play.
No Japão, se estamos vendo a novela antes de sair para o trabalho, adiantamos e vamos para as cenas finais ou simplesmente continuamos a ver depois que voltamos. Chego em casa, tomo banho, pego meu café Starbucks e aperto PLAY. Simples e sem emoção alguma.
Suco de laranja verdadeiramente natural, que delicia! Na fruteira, maçã, banana, pera, manga, uva, maracujá, mamão, ameixa, abacate. Sentar embaixo da jabuticabeira e comer jabuticaba até a lingua ficar roxa - tá, eu não gosto de jabuticaba, mas tem quem gosta.
Sei lá... pode ser que eu esteja ficando velha, afinal já sou vovó... Mas quero mais da vida, quer dizer menos. Menos trabalho, menos preocupações com chefe que não entende a minha lingua, menos gente mandando e desmandando na minha vida. Menos terremoto, menos tsunami, menos radiação. E agora a novidade: menos enchente. Enquanto a Tailandia estiver sob as aguas, estamos em recessão.
O que falta inventarem? Retorno dos gafanhotos no Egito?
No Brasil tem enchente, tem ladrão, tem politico corrupto, tem transito caotico, tem fila no INSS, mas tem alegria, tem almoço de domingo com a familia, tem sorriso com dente faltando, tem tenis puna e camiseta adibas. Tem pastel de feira custando R$1,80 e não ¥500.
No Brasil, eu lia Claudia, Marie Claire e livros. Muitos livros. Lia de um a dois livros por mes. Aqui, tenho que esperar entrar na promoção da promoção pra comprar UM livro.
Acho um abuso explorar nossa saudade dessa forma. 
Por isso, me acostumei a comer comida japonesa, chocolate japones, pão japones, pão de queijo (?) japones e a ler livros e revistas... em japones. Ver e ouvir japones 24 horas por dia!
Uma hora a gente pira! e isso aconteceu sabado. Chorei, me descabelei, briguei com todo mundo. Quis abandonar tudo e voltar pro Brasil. Voltar como? E nesse frio? O jeito foi me acalmar e sair pra jantar fora. Fomos comer gyoza.
De vez em quando a gente precisa explodir, por pra fora essa saudade. O problema é que acabamos atingindo as pessoas que amamos. Ainda bem que esse amor é forte, surdo, mudo e tem memoria curtinha.

nota: imagens da web

3 comentários:

  1. Oi! Então venha ao Brasil só matar a saudade e depois volte renovada ao Japão. Vai fazer bem á você e á sua família. A Pri do Just a Ride veio ao Brasil e ficou cerca de 1 mês só para se renovar e ela estava bem frágil. Talvez esteja na hora de você vir também ^^

    Bjs

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  2. Diana!!
    Fui ano passado em maio e voltei em fevereiro deste ano... Comi pastel e muito bolo na minha sogra. Acho que fiquei tempo demais lá, por isso a saudade é maior, mas como o Beto e o Lucas estavam aqui, decidi voltar pra cá. De vez em quando, bate essa tristeza...

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  3. NOSSA VC ME FEZ LEMBRAR DE COISAS Q A GENTE ESQUECE QUANDO VEM PRA CA , ATE CHOREI COM SAUDADE DE TUDO ISSO ,E ESSE E UM DOS MOTIVOS OU VARIOS MINHA VONTADE DE VOLTAR PRO BRASIL

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