quinta-feira, 24 de março de 2011

Fase branca, fase turva

Mudei a cara do blog umas quinhentas vezes e continuo achando que falta alguma coisa.
Sinto que estou numa fase branca. Talvez chegar aos quarenta me trouxe mais serenidade, mais tolerancia, mais calma.  Escrever sempre foi um prazer, uma forma de expressar sentimentos que correm nas veias e que saem pelos poros.
Sou tantas pessoas dentro de uma, que às vezes não sei quem está no controle.
Quando leio o blog da Camila, sinto a força das palavras dela, pulsando de verdades, me instigando a fazer o mesmo. Já disse que se eu falasse tudo que me vem à cabeça, seria no minimo linchada ou queimada na fogueira.
Comecei a escrever aos 8 anos, minha primeira poesia falava de uma menina que tinha perdido a mãe e da falta que sentia dela. Ao terminar de ler, minha professora chorou e disse não saber que eu era orfã. Eu tenho mãe - disse a ela -  escrevi o que acho que uma criança sente no Dia das Mães.
Acho essas datas uma crueldade. Dia das Mães, Pais, Avós...
Durante a adolescencia escrevia contos, poemas, até musica já fiz. Aliás, um ex-namorado quando ficou sabendo que eu havia escrito uma musica pra uma banda, falou bem pertinho do meu ouvido - numa balada -  "faz uma musica pra mim, tambem?" Nossa, minhas pernas tremeram, eu entrei em choque. Claro que eu ainda gostava dele, ne?
Voltando à Camila, ela tem um jeito cativante de escrever, parece que sou a pele dela, que sinto o que ela sente, que sou eu!
Tenho certeza de que se ela escrevesse um livro, seria um daqueles em que voce não consegue parar de ler, aqueles que voce não quer que acabe nunca.
Eu sou muito seletiva, sabe? Chata mesmo! Odeio erros ortograficos (até parece que nunca erro), acho que o contexto perde o sentido. Tenho vontade de rasgar, gritar, chorar de ódio.
O que ela escreve, leio num piscar de olhos, quase sem respirar.
É assim com a Amanda tambem. Ela fala com essa mesma força.
O Lucas, não. Os textos dele são como uma caricia, mesmo os mais emocionantes.

Polegar Verde

Tistu é um menino muito feliz, que nasceu e foi criado com todo o luxo que seus belos pais - donos da maior fábrica de canhões do mundo - podiam dar e o dinheiro podia comprar. Morava numa mansão - a "Casa-que-Brilha" - e tinha criados que o adoravam. Ao completar oito anos, seus pais decidem que já é hora do filho conhecer as coisas da vida e se preparar para, no futuro, assumir e dar continuidade aos negócios da família. No entanto, logo no terceiro dia de aula o menino é expulso do colégio por dormir durante as aulas. Com isso, os pais de Tistu decidem que a educação do menino se fará dentro de casa, sem livros, através de suas próprias experiências e observações. No dia de sua primeira aula com o jardineiro Bigode, Tistu descobre um dom excepcional: ele tem o dedo verde - o que significa que basta um toque de seu polegar para que surjam plantas e flores onde quer que ele encoste. Com as aulas do Senhor Trovões, ele entra em contato com a violência urbana cotidiana e conhece a infelicidade e a tristeza. Inconformado, Tistu decide mudar o mundo apenas com o toque de seu dedo verde, começando pela cidade onde mora, Mirapólvora.
O Menino do Polegar Verde - Maurice Druon

Após o terremoto,


voluntarios


plantam flores

no jardim da Prefeitura da minha cidade

Infelizmente, eu não tenho o polegar verde. Minhas mãos são completamente negras...
As plantas simplesmente morrem nas minhas mãos!
Agua demais, agua de menos. Tesoura de poda vira uma arma poderosa nas minhas mãos inabeis.
Inocentes vasinhos de violetas, trepadeiras e cactos são minhas vitimas constantes. Puxa... eu adoro plantas!
Nos primeiros anos de casamento, tinhamos uma samambaia que ficava pendurada no canto da sala. Nas noites de muito calor, eu e Beto deitavamos embaixo dela, porque caia uma garoa fininha das folhas. Ficavamos de olhos fechados, conversando e sentindo aquela umidade gostosa caindo sobre nós.
Vinte anos se passaram, e hoje flores de plastico decoram a cozinha e o banheiro.



terça-feira, 22 de março de 2011

Pequenas verdades

Alguns livros trouxeram muitas mudanças à minha vida. Moldaram meu carater, me ajudaram a ser uma pessoa melhor e consequentemente,  alegrias e muitas conquistas vieram juntas.
Os livros lidos e não esquecidos foram escritos para crianças, ou melhor, para crianças lerem com seus pais.
Muitas pessoas procuram - em momentos de indecisão e fragilidade - livros de auto-ajuda, com ensinamentos milagrosos, formulas mirabolantes, mantras e afins. Livros enfadonhos e chatos. Interminaveis paginas falando sobre como ser uma pessoa bem sucedida, somente seguindo algumas regras. Tudo muito "adulto", profissional e formal.
Listo algumas pequenas verdades que só serão aprendidas, se forem vistas pelos olhos de uma criança.
Uma criança tem a mente e o coração abertos para o aprendizado; questionam, instigam, acreditam.

"Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: ´Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!´ e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem é um cogumelo!"

"A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa.
- Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos,
os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!"



“Talvez esse homem seja mesmo um tolo. No entanto, é menos tolo que o rei, que o vaidoso, que o empresário que o beberrão. Seu trabalho ao menos tem um sentido. Quando acende o lampião, é como se fizesse nascer mais uma estrela, ou uma flor. Quando o apaga, porém, faz adormecer a estrela ou a flor. É um belo trabalho. E, sendo belo, tem sua utilidade.”


“As estrelas são todas iluminadas... Será que elas brilham para que cada um possa encontrar a sua?”


“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas.”



domingo, 20 de março de 2011

Gato Preto e Outras Bobagens

- Mãe, sonhei que meu dente caiu...

Alguns dias atrás, comentei que quem sonha com dente caído, significava morte na familia.
Como tranquilizar um filho, depois de dizer uma coisa dessas? Como tranquilizar uma pessoa que voce ama, depois do terremoto que devastou uma parte do Japão, que está prestes a ter um desastre nuclear, que está enfrentando falta de alimentos e agua e os alimentos que restam, estão contaminados? Fabricas fechadas, contam chegando para serem pagas...

- Ah, Lu... Voce sonhou porque foi no dentista e a gente ficou comentando sobre dentes e gengiva...


Tentei criar meus filhos sem essas crendices, mas de vez em quando escapa uma e depois, tem que aguentar as consequencias...
Quando era criança, aprendi a ter medo de trovão, pois o Gogorosan pega umbigo de criança que toma banho em dias de tempestade. Aprendi que Deus castiga.
Tive uma vizinha que colocava repolhos na porta da cozinha para impedir que a filha de 2 anos saisse para o quintal, falando que os bebês nasciam deles.
Por que as pessoas assustam crianças na esperança de protege-las?
Escrevo estas linhas com o coração apertado... Trago dentro de mim muitos medos.
Medo do escuro, de fantasma, de morrer, de ver alguem querido morrer.
Não são aqueles medos normais que não atrapalham a vida. Durante muito tempo, tive medo de ir ao banheiro sozinha, tomar banho sozinha, ir buscar um copo de agua à noite.
Desde que me casei, Beto me levava ao banheiro antes de deitar, ia buscar agua, dormia depois de mim, velando meu sono. Nunca, nunca, ele perdeu a paciencia ou achou engraçado.
Pior que tudo isso, é gostar de filmes de terror e teimar em querer assistir. Hoje, o Beto não assiste mais e briga comigo quando comento de algum.

Tubarão

Depois de ver um filme sobre tubarões inteligentes que caçavam pessoas dentro de um submarino, fiquei com medo de ir ao banheiro (como sempre). Beto me levou comentando "mas tubarão não passa pelo vaso, Bah!"

Mato Assassino

Eu e o Lucas assistimos um filme super tosco, sobre as plantas verem os seres humanos como ameaça e incitarem essas pessoas a cometerem suicidio. Resumindo: fiquei com medo das arvores do vizinho.

Escuro

Da fabrica até a estação de trem, levo 20 minutos caminhando (correndo no pensamento). Passo por ruas escuras e pela rodovia. Durante esses 20 minutos - que duram a eternidade - ando com as mãos apertadas no peito, segurando o celular. Todos os dias, penso que vai ser diferente, que vou aproveitar a caminhada. Mas todos os dias, o telhado de uma fabrica abandonada teima em chorar no momento em que passo por ela. Por que ela não chora de dia? Por que tem que ser à noite? Por que não atravesso a rodovia?

Não gosto de falar tchau... 

Acordei com dor de cabeça e fiquei irritada com o Beto. Resolvi ficar na cama, bem quietinha.
Beto se arrumou para o trabalho e na hora em que veio se despedir, me abraçou bem forte (como sempre) e beijou meu pescoço varias vezes (adoro quando ele faz isso) e sussurrou no meu ouvido "eu te amo".
Fechou as cortinas e enquanto fechava a porta do quarto, não tive forças pra pedir que deixasse aberta, que eu queria ver o sol pela janela do outro quarto, que fica ao lado.
Ele se virou e falou "tchau". Como não respondi, ele insistiu "fala tchau pra mim!". Falei bem baixinho...
Não gosto de despedidas, de falar tchau. Parece que nunca mais vou ver a pessoa.
Sempre levo o Beto até a porta e fico abraçando ele, querendo que ele fique. Mas ele nunca fica. Me abraça, me beija e promete ligar assim que chegar no trabalho.
Hoje foi diferente, por causa do sonho do Lucas. Tive que colocar todos os meus medos de lado pra dizer: "não é nada, Lu".
Pelos nossos filhos, eu enfrento qualquer coisa. Tubarão que sobe pelo ralo, arvore assassina, fantasma. No escuro ou em plena luz do dia.

sábado, 19 de março de 2011

Miffy e My Melody


Depois da minha descoberta (ai que vergonha!) fui pesquisar mais sobre essas coelhinhas lindas.



Miffy é uma coelhinha com mais de 50 anos e nasceu da criação de um holandes, o Dick Bruna. Uma particularidade: os livros são impressos em tamanho pequeno, pois Dick achava importante as crianças sentirem que o livros eram para elas e não para seus pais. Na Holanda tem até uma estatua dela!
Muitas pessoas (eu, por exemplo) pensam que ela é japonesa, pois a


 My Melody e seus amigos são processados usando um estilo de linha similar. A My Melody é uma criação da Sanrio que também fez nascer a Hello Kitty e outros personagens muito fofos.Ela nasceu em 1975 e ficou um pouco esquecida nos anos 80, mas foi resgatada pelos seus fãs em 1996.

Miffy e outras coisinhas


Depois de muito tempo, fiz umas comprinhas para o scrapbooking!

Message Tag (corações), Message Card (gatinho), papeis Miffy, papeis coloridos com motivos japoneses e clips decorados

detalhe das tags e cartão

A Miffy é muito fofa

amei as tags! quase comprei a cartela toda

 mini pregador decorado

mini argolas coloridas, estilete de corte redondo e de precisão,  embosser  e cutting mat

amassa um pouco o papel...

album

achei legal porque dá para escrever nas folhas usando canetinhas especiais



Um pouco da historia da Miffy

A Miffy é uma criação do holandes Dick Bruna. O primeiro livro foi produzido em 1955.
Uma particularidade: os livros são impressos em tamanho pequeno, pois Dick achava importante as crianças sentirem que é um livro para elas e não para seus pais.
Quer saber mais? Aqui tem!
Eu poderia jurar que a Miffy era criação japonesa... Ô ignorancia!
Achava que era da familia da My Melody, essa sim, criação japonesa.

Eu quero!

Carlos Drummond de Andrade - Quero


 Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ficar ou fugir?

Muitos brasileiros querem voltar para o Brasil, com medo de uma contaminação radioativa. Não sei se essas pessoas vivem nas areas de risco ou se simplesmente estão apavoradas.
Entendo esse receio, mas acho um absurdo levantarem cartazes EXIGINDO que o governo brasileiro mande aviões especialmente para busca-los.
O governo brasileiro disse que só poderia fazer isso em caso de risco extremo e que os outros paises o estão fazendo por terem comunidades menores. 
Gente! Calma. Não entrem em panico.
Quando aconteceu o terremoto em Shizuoka, à noite, eu tirei o Lucas do chuveiro falando TERREMOTO LU, ele saiu todo molhado, minhas pernas tremiam e eu só queria juntar cobertores, comida, agua, documentos e dinheiro. Fiquei igual barata tonta enquanto ele colocava algumas roupas na mochila. Deixamos as coisas perto da porta de saida e esperamos. Liguei para o Beto e ele calmamente falou "não senti nada, acho que foi fraco".
Só ai consegui relaxar. 
O medo faz o corpo entrar em alerta e se não nos controlarmos, esse medo pode levar ao panico.
Esses brasileiros estao em panico, só espero que não destruam o Consulado, não invadam os aeroportos e não comecem a saquear os supermercados. Isso esta perto de acontecer porque nós reagimos ao medo dessa maneira, é da nossa cultura agir assim.
Por isso admiro o povo japones e vi o orgulho nos olhos do Roberto Kovalick , ao falar para o Jornal Nacional sobre a aparente calma dos japoneses, seu respeito às filas nos postos de gasolina, nos abrigos, nas ruas.
Eu não quero ir embora, nem temos dinheiro para as passagens. Quero ficar e trabalhar na reconstrução do pais. Minha contribuição é de uma formiguinha, mas até uma formiga tem seu valor no formigueiro.
E que esses brasileiros consigam ir embora, pois melhor sairem ao inves de ficarem aqui, causando panico e preocupando nossa familia e amigos no Brasil. Sim, eles fazem isso, toda vez que aparecem nos noticiarios do Brasil.
Alguns brasileiros reclamavam que os japoneses se aproveitavam da nossa mão de obra, descartando nos momentos de crise. Que os japoneses nos humilhavam e nos tratavam como inferiores. Que eram racistas. Eu cheguei a pensar assim, mas agora entendo.
Não é que o japones é racista e não gosta da gente.
Só quem é japones entende o sentido da palavra COMPROMETIMENTO. 
Só quem é japones entende que o coletivo é mais importante que o individualismo e ao permitir que somente descendentes vivam aqui, acham que esse comprometimento está no sangue. Pensamento errado, acho eu. Mas é assim que eles são, então aceito.
Os estrangeiros estão abandonando o Japão!
Estão abandonando suas casas, seus trabalhos, seus amigos japoneses (que amigos, hein?).
Os estrangeiros tem um lugar para ir e vão ficar nos seus paises, seguros e confortaveis, esperando para voltarem quando tudo estiver normalizado.
Essas pessoas não merecem voltar. 
Uma vez, conversando com uma amiga japonesa, falava da minha saudade do Brasil e que se a crise chegasse eu voltava pra la, isso foi em 2008. Ela me olhou e depois de uma pausa, disse "voce tem para onde ir, e nós? nós, japoneses, temos de ficar e ajudar o Japão a se reerguer, porque é o unico lugar que temos".
Enquanto eu estiver vivendo aqui, vou fazer a minha parte.

quinta-feira, 17 de março de 2011

E na escuridão, eis que surge a luz



Fogo de Artifício

Você já se sentiu
Como um saco plástico
Flutuando pelo vento
Querendo começar de novo?

Você já se sentiu,
Com um papel bem fino
Como um castelo de cartas
A um sopro de desmoronar?

Você já se sentiu
Como se estivesse enterrado ao fundo
Gritando sob seis palmos
Mas ninguém parece ouvir nada?

Você sabe que ainda
Há uma chance para você?
Porque há uma faísca em você

Você só tem
Que acendê-la
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como no dia da independência

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Enquanto você é atirado pelo céu “Ah, ah!”

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Você vai deixá-los dizendo “awe, awe, awe”

Você não tem que se sentir
como um desperdício de espaço
Você é original,
não pode ser substituído

Se você soubesse
o que o futuro guarda
Depois de um furacão
vem um arco-íris

Talvez a razão pela qual
todas as portas estejam fechadas
É que você possa abrir uma que te leve
para a estrada perfeita

Como um relâmpago,
seu coração vai brilhar
E quando chegar a hora, você saberá

Você só tem que
acender a luz
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como o dia da independência

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Enquanto você é atirado pelo céu “Ah, ah!”

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Você vai deixá-los dizendo “awe, awe, awe”

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Sempre esteve dentro de você, você, você
E agora é hora de deixá-lo sair

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Enquanto você é atirado pelo céu “Ah, ah!”

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer “Ah, ah, ah!”
Você vai deixá-los dizendo “awe, awe, awe”

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua


Talvez seja influencia do meu signo - Sagitario - ou talvez eu seja uma fenix, não sei...mas tenho o poder de renascer, não deixando o pessimismo tomar conta dos meus pensamentos.
Acredito que ser otimista não é tentar mascarar a realidade, encobrir as dificuldades. Para mim, o otimismo não me deixa esmorecer, me dá forças para ter paciencia e perseverança.
Claro que eu choro, faço dramas horrendos, tenho vontade de não sair da cama, de jogar tudo para o alto, de quebrar a casa inteira. 
Meus fogos de artificios são ambiguos .
Quando estou furiosa, esses fogos se explodem espalhando faiscas machucando as pessoas que estão ao meu redor. 
Essas explosões duram um minuto, o mesmo tempo que se leva para um fogo de artificio atingir o ar e se abrir em mil cores.
Um minuto para se fazer um inimigo ou magoar um amigo. Um minuto para corrigir um erro e tentar resgatar uma palavra proferida.
Mas quando estou feliz, suas luzes descem pelo céu em cascatas de mil cores, formando flores.
Essas luzes demoram a desaparecer e são vistas de longe, trazem calor e um sorriso, às vezes largo, às vezes timido.
Fico pensando...
Para magoar, basta uma palavra. Para ficar triste, basta uma perda. Para chorar, basta um aperto no peito. Tudo rapido e devastador.
Mas para se conquistar uma vitoria, um amigo, um amor, demora tanto, às vezes, leva a vida toda.
Uma vez, disse aqui, que tinha borboletas no estomago, mas corrijo: tenho fogos de artificio dentro do estomago.
Tenho vontade de correr gritando de alegria, de dançar, de abraçar o mundo!
Tenho vontade de acolher, proteger, amar todas as pessoas.
O fogo que trago preso dentro de mim, sai aos poucos, soltando algumas fagulhas...
Eu queria abrir o peito e deixar essas luzes e cores e esse calor sair numa explosão e arder em chamas como uma fenix renascendo.
Talvez isso não aconteça por eu não estar em estado de cinzas, meu otimismo não me deixa morrer, faz com que eu tenha a certeza de que tudo vai dar certo, no final. 

quarta-feira, 16 de março de 2011

kampai!

Sabado, meu chefe reuniu os funcionários para uma confraternização de apresentação. 
A reunião foi em um Yakitori. Fiquei com medo de não gostar da comida.



A esquerda, Wakazono san (dono da empreiteira). Os dois, à direita, Ishii san e o outro ainda não sei o nome... os dois são kachoo. 

Momento do kampai! (brinde).
Eu e Celia brindamos com chá.

Igaki san com a faixa de garçom. Ele foi o escolhido para servir a mesa. Bebeu tanto que não sei como conseguiu acertar os pedidos. 

Tinha muitas crianças e como eu adoro fotografar essas mini-pessoinhas, tirei muuuitas fotos.

As mulheres ficaram do outro lado, com as crianças. Eu queria ficar com elas, mas meu chefe pediu para que eu, Celia e Tatiane ficassemos com eles.

Celia, eu e Ishii san - kachoo da minha seção. Ele fala um pouco de portugues e conversamos bastante, na linguagem do meio-japones, meio-portugues. 
Suguihara san, Celia e eu. O Suguihara san estava meio deslocado no canto da mesa, entao falei pra Celia "vamos enturmar ele". Com o tempo, ele foi se soltando e acabou rindo muito com a gente. Ele tem um problema na perna que o faz mancar. Levantou diversas vezes pra buscar um pratinho que esqueceram de me trazer,  duas cocas-colas que não me ouviram pedir. A Tati falou "coitado, voce fazer ele levantar". Mas ele ficou feliz em me ajudar e não me deixou cometer gafes, afinal foi a primeira vez que fui a um Yakitori.

Momento de passar a faixa. O outro "garçom" é filho de pai japones e mãe brasileira. Sentamos na mesma mesa e quando fiz uma pergunta, ele disse "não falo portugues". Parece eu falando "nihongo wakaranai". Sabe aquelas frases que a gente decora?

Marina - peruana - com o kachoo (puxa, não sei o nome dele) que faz as entrevistas. Tão novo e já é um chefão. É comum jovens se tornarem chefes. No Japão não importa a idade, mas sim a hierarquia.

Cozinha do Yakitori. Amei o lugar! Alegre, barulhento, animado.

Meu empregador... Parece ser uma pessoa legal. Me contratou por telefone e quando nos encontramos, disse que o kachoo me aprovou sem ao menos me ver e que era mezurashii (raro). Espero não decepciona-los.

Chefe da Marina. Ao lado dele, Tatiane, uma brasileira que estudou a vida toda em escola japonesa.
Essa menina é uma chinesa e acho que está com o namorado. Ela é muito bonita.


A reserva era das 17:00 às 19:00, mas acabamos saindo às 20:00. Adorei a comida, o lugar, as pessoas. Meu chefe reuniu o pessoal para que nos conhecessemos e o que mais gostei é que ele mudava as pessoas de lugar para que todo mundo conversasse. Os chefes iam de mesa em mesa. Eu queria ficar com as mulheres, mas fiquei com dó de deixar o Suguihara sozinho... Fui uma boba, porque o Wakazono san ficou  com ele. 
Na hora de ir embora, Marina deu carona para mim, Celia e duas japonesas - mãe e filha.
Apesar do susto de sexta feira, o jantar foi muito legal e prometi levar o Lucas e o Beto lá. O mais dificil vai ser convencer o Beto a sentar nas almofadas.

terça-feira, 15 de março de 2011

Um olhar japones pelos olhos de uma brasileira



          

 

    



 

 






Todo mundo já sabe que o Japão sofreu um grande terremoto na sexta feira, dia 11 de março.
Muitas fotos, videos e informações circulam pela internet. Durante quase 72 horas após o terremoto, toda a programação da tv japonesa foi cancelada, permanecendo no ar somente os noticiarios. 
Hoje, terça feira, a programação foi parcialmente restabelecida.
A destruição foi assustadora! 
Eu não quis postar mais fotos do caos em que se transformou as cidades atingidas. Queria mostrar o povo japones, o seu olhar, a sua aparente calma. 
Eles sabem que vivem sob uma bomba relogio - terremotos, tsunamis, furacões. Vivem sob pressão do trabalho excessivo, acostumados desde cedo a serem independentes. 
Achava que os japoneses eram contidos e reprimidos. Mas ao ver essas fotos e os noticiarios mostrando pessoas chorando desesperadas, vi que eles foram preparados para enfrentarem essas catastrofes, mas ninguem os preparou para perder um filho, o pai ou a mãe, um amigo...
Muitos perderam suas casas e seus pertences e outros perderam a vida.
Nessas fotos, eles parecem tranquilos, esperando pacientemente para fazer uma ligação, passar pelo metro, aguardando no aeroporto, aceitando uma possivel contaminação radioativa. Nos abrigos, fazem fila para receber uma garrafa de agua e um oniguiri (bolinho de arroz). 
O Beto foi comprar arroz e agua, pois se comenta que ja esta faltando comida nos supermercados. Ele encontrou arroz, mas não achou agua nas prateleiras. Acabou comprando em uma loja de conveniencia 24 horas. As pessoas estão comprando para mandar aos desabrigados e para montar os kits de sobrevivencia.
Eu sou uma estrangeira aqui. Tenho medo de faltar comida e agua. Tenho medo de ficar sem documentos, sem trabalho. Tenho medo até de pensar em ....
Eu posso pegar um avião e voltar para meu país. E o povo japones?
Aprendi a admirar esse povo guerreiro, a terra dos meus avós. E aprendi que eu também sou uma japonesa, afinal tenho olhos puxados como meus pais e avós.
Eu quero ficar aqui e continuar trabalhando, aprendendo o idioma e a cultura. Quero continuar sentindo orgulho de ter sangue japones sem perder o que me faz ser uma brasileira - a vontade de voltar pra casa.

domingo, 6 de março de 2011

Se eu fosse dona do tempo

Expressões japonesas

Me prolongaria nas explicações sobre as expressões japonesas, acho importante aprender sobre elas, são palavras-chave para o dia-a-dia. Ainda não consigo administrar minhas 24 horas, acho que é o frio. Eu gosto do frio, mas odeio SENTIR frio.

Fotos

Postaria mais fotos, mas deixei tudo no Brasil... O jeito é tirar fotos novas.

Scrapbook

Montaria os albuns e LOS das fotos que trouxe impressas.

Cartas

Colocaria minha correspondencia em dia.

Artesanato

Ah, nem te conto... Tudo parado!

Roupas

Passaria a pilha de roupas que estão acumulando.

Nihongo

Estudaria. Meu sensei deve achar que abandonei os estudos. Como vou explicar se eu não passar no teste de proficiencia ?

Livros

Leria mais. Amo bons livros. Por enquanto, consigo folhear uma Alternativa, pelo menos fico em dia com as noticias do Japão.

Dormiria mais, comeria mais frutas, namoraria mais, passearia mais e se eu fosse inteligente, sairia da frente deste notebook.

Otsukaresamadeshita

Sexta, 8:30 - Hajimemasu
Coloca a peça esquerda,  a peça direita. Aperta o botão. Tira a peça esquerda, a peça direita. Coloca na caixa.
Coloca a peça esquerda,  a peça direita. Aperta o botão. Tira a peça esquerda, a peça direita. Coloca na caixa.
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...
Sexta, 17:30 - Owarimashita




Furyoo hin




Durante todo o processo, passei um furyoo  (peça com defeito)e como sempre,  nessas ocasiões, fazem um "carnaval". Japoneses são tão metódicos, perfeccionistas e obcecados pelo "perfeito" que quando deixamos escapar uma peça com defeito, ficam desesperados, parece que o mundo vai acabar. Primeiro vem o tantousha (responsavel ), depois o ranchoo (líder), em seguida o kakarichoo (supervisor) e pra piorar, chega o kachoo (gerente). Acho que se  tivessem o telefone do Imperador, até ele viria. Meu Deus do Céu! Só não vi um bari (rebarba) e deixei passar...
Bem... depois de um tempo vivendo aqui, aprendi que um furyoo pode significar muita coisa. Pode inclusive, levar à falencia e fechamento de uma empresa.
Vocês ouviram falar do recall que a Toyota fez  por causa do tapete, freio e bomba de gasolina? Foram milhões de carros. Um furyoo poderia ter causado a morte de uma pessoa e abalou a credibilidade da empresa.
Meu furyoo não causaria tanto estrago, mas poderia ocasionar o cancelamento ou devolvimento de TODAS as peças do lote.
Um dia antes, o buchoo (diretor responsavel por um departamento), no choorei (reunião matinal) disse que teve que se ajoelhar em frente ao cliente pedindo desculpas pelas falhas do ultimo mês. Achei um exagero ele se ajoelhar para mostrar como fez o pedido de desculpas. Pode ter comovido os japoneses, mas nós estrangeiros, achamos um pouco ... dramático demais.
O kachoo está tendo muita paciencia comigo, me explica atenciosamente como proceder. Ele disse que somente depois de 1, 2 ou 3 anos poderei fazer as peças com sgurança, até lá, serei atarashii (novata) e terei de revisar DUAS vezes. Exagero? Não. É a confiança que falta, como já disse aqui.
HAI, GAMBARIMASU! - vou me esforçar!




Iro-Iro Arigatou Gozaimashita. Osewa ni naremashita.


No final do dia, pediram pra nos reunirmos. "Lá vem bronca, vou perder o trem" pensei. Nossa, to muito negativa esses dias. ALEGRIA, CLAUDIA!
Tres chinesas estão voltando pra China e nos reunimos para a despedida. O kachoo agradeceu o trabalho delas e pediu para que elas continuem se esforçando no país delas. No final, todos bateram palmas.

No emprego anterior, quando soube  das condições do contrato de trabalho das estagiarias chinesas, entrei em choque. Elas são recrutadas para trabalhar 12 horas por dia recebendo salários irrisorios e um visto que vale por tres anos sem direito a renovação ou prorrogação. Minhas amigas chinesas faziam horas extras que ultrapassavam 5, 6 horas por dia. Às vezes, trabalhavam nos dias de folga. Nós podiamos escolher a quantidade de horas extras e se queriamos trabalhar na folga ou não. No meio da tarde, o chefe passava perguntando. A quantidade de horas, muitas vezes, definia o horario da saida delas. Quando ele saia da linha, elas perguntavam "nanji made?" (até que horas?). Eu sempre fazia 4 horas. Quando a produção estava muito atrasada, elas faziam 6 horas.
Uma vez, troquei o turno do dia para o da noite porque a produção aumentara e a fabrica queria trabalhar 24 horas. No começo do turno, uma das chinesas estava com muita colica menstrual e queria voltar pra casa. Trabalhar com colica já é dificil, imagina ficar em pé 12 horas seguidas. Ela começou a chorar porque o chefe falou que ela não poderia ir embora e era pra ela se esforçar. GAMBATE! (esforce-se!). Eu quis intervir e perguntei, daijoobu? (tudo bem?). Esse meu lado protetor-justiceira já me causou muitos problemas, mas eu não podia ficar impassivel diante daquele choro. Ela acabou ficando...
Essas amigas chinesas moravam num alojamento com 4 meninas em cada quarto, não podiam ter celular, internet e não podiam sair pra balada nem se maquiar.
Duas delas "fugiram" do alojamento pra ir na balada com as brasileiras. Elas pareciam adolescentes que saem pela primeira vez. Usaram sandalias de salto e mini saia emprestadas. Como mãe, fiquei preocupada, mas gostei de elas terem saido pra se divertir.
Quando acabou o contrato dessas amigas, elas disseram que o dinheiro que elas ganharam não as tornariam ricas, mas poderiam viver confortavelmente por muito tempo.

Otsukaresamadeshita = bom descanso / você trabalhou bem
Hajimemasu = vou começar
Owarimashita = terminei
Iro-iro arigatou gozaimashita = obrigado por tudo
Osewa ni narimashita = agradeço por tudo que fizeram por mim



















sábado, 5 de março de 2011

Meu amigo Kuma chan

 Passando rapidinho pra apresentar meu amigo - o Kuma chan (ursinho em japones)
Ganhei hoje!