sexta-feira, 22 de abril de 2011

Atatakai kokoro

Ontem a noite vi mais um programa falando sobre o terremoto, pensei em desligar a tv, mas como estava sem sono, resolvi ver um pouquinho.

Pan no Kanzume


Uma empresa fabricante de pão enlatado (!) e pão de forma, trabalhava praticamente sem descanso para dar conta dos pedidos. Até ai, tudo bem, o consumismo desenfreado dos japoneses após o terremoto, temendo falta de alimentos e por falta de materia prima, muitas empresas trabalham no limite.
Mas há mais uma razão para esta empresa trabalhar além do limite: levar pão aos desabrigados e moradores das regiões atingidas pelo terremoto. Pelo que entendi, eles estavam trabalhando sem descanso e mesmo assim, estava dificil de atender a demanda. Eram 2 horas da manhã quando o gerente entrou no escritorio onde sua mãe, a presidente, trabalhava. Estava com um xale nos ombros e um mini cobertor sobre as pernas. O reporter perguntou se ela não iria para casa. "Tem muito trabalho ainda para ser feito, muitos pedidos", disse ela.
Na manhã seguinte, o gerente reuniu os funcionarios e agradeceu a cooperação de todos e pediu um pouco mais de esforço, e falou com os olhos cheios de lagrimas, que gostaria que todos dissessem daijoobu (tudo bem) e que todos iriam continuar trabalhando, mesmo faltando materia prima.
No dia do pagamento, o gerente entregou pessoalmente os envelopes agradecendo um por um.
Dois entregadores levaram caixas de pão enlatado com mensagens para Miagi e Sendai.
Cada pessoa que recebia uma lata de pão e um pacote de pão de forma, agradecia demoradamente. Esses entregadores foram recebidos com palmas, alegria e lagrimas.
Não sei se a entrega seguia diariamente.

Kamaboko-age


O dono de uma fabrica de kamoboko-age perdeu sua casa e dorme num sofa, em seu escritorio.
A reportagem o mostrou indo até onde fora sua casa e procurando por objetos, fotos...
Me desculpem se não consigo entrar em detalhes, mas meu nihongo ta meio enferrujado. Se alguem assistiu, por favor, me escreva, pois quero saber com certeza o conteudo das materias.
Esse empresario reuniu os funcionarios e explicou seu desejo de produzir o kamaboko-age e levar para os abrigos.
Passou uma lista e todos preencheram. Quando um funcionario o comunicou sobre a lista, pediu licença para a camera, saiu e chorou.
Um entregador carregou seu caminhão e partiu para os abrigos. Falou que ele gostaria que as pessoas pudessem saborear o kamaboko-age quente, pois elas só estavam comendo onigiri gelado.
As pessoas comeram o age gelado mesmo e falavam oishii - gostoso.
Fiquei pensando: puxa vida, ele perdeu a casa e ao inves de trabalhar para sua reconstrução, pensava na casa que as outras pessoas perderam.

Acho que estou escrevendo de modo confuso, com informações desencontradas, mas a unica coisa que tenho certeza absoluta é de que esses dois homens tem atatakai kokoro - coração quente, numa tradução livre.

É da nossa conta, sim!

Kenichi Matsuyama e Kato Koyuki se casaram no dia 01 de abril.
De acordo com as agências dos dois, o casal já havia informado sobre o casamento às pessoas próximas a eles, mas adiaram o anúncio público devido a situação atual do Japão após o terremoto no dia 11 de março..
Eles se conheceram em 2008 durante a filmagem do filme Kamui Gaiden.
Kato participou do filme O Ultimo Samurai, contracenando com Tom Cruise.


Mas... o que tem isso de tão importante?
Aqui no Japão, pessoas que aparecem na mídia - artistas, politicos, empresarios, esportistas - tem uma certa obrigação moral de informarem qualquer mudança em suas vidas.
Casamento, separação, brigas, escandalos, etc.
Eu estava deitada vendo tv, quase dormindo, quando o Kenichi apareceu na tela com um microfone na mão. Lá vem escandalo, pensei. Nem sabia o nome dele e não entendi direito quem era a noiva. Não sabia se ele era ator, cantor ou algum jogador de beisebol. Não dei muita atenção e fui dormir.
De manhã, todos os jornais televisivos matinais falavam do casamento deles.
 Ah! ela era a japonesa do filme do Tom Cruise, lembrei. Faz diversas propagandas e participa de varios programas de entretenimento. Ele passou a participar de programas, a partir do pronunciamento.
Gente! Ir à televisão comunicar o casamento é um pouco demais, não é não?
O Kenichi ficou bastante constrangido ao responder perguntas do tipo "o que ela mais gosta de comer?" " o que ela mais gosta de fazer?", etc.
Uma das respostas foi "ela entra no ofuro umas 3 vezes por dias", acho que perguntaram o que de mais estranho ela faz.
Revirei os olhos em desdém e mudei de canal, demorou um pouco pra achar algum que não estivesse falando deles.


Daí me lembrei de uma vez que um dos integrantes do Smap quase encerrou a carreira por causa de um escandalo. Ficou semanas na mídia.
Depois de um dia de trabalho, ele bebeu um pouco demais, tirou a roupa e correu pelo parque, sendo preso por policiais.
Kusanagi na coletiva
Na coletiva, falou que estava feliz naquela noite e não se deu conta do que havia feito.
Cancelou todos os comerciais que tinha participado, cancelou todas as participações em programas e shows.
Foi tão sincero ao se desculpar, falando que tinha responsabilidades para com os outros membros e fãs que foi perdoado. Depois disso, dobrou a participação em comerciais e programas. Conseguiu reverter a situação.
Para os japoneses, sua honra é sua vida.
Pedir perdão é a primeira e mais importante coisa a se fazer, seja no dia a dia ou numa situação extrema.


Akio Toyoda - presidente da Toyota


Quando a Toyota pediu recall dos seus carros, o presidente da companhia foi à tv se desculpar publicamente.


Em 2007, o Ministro da Agricultura, Toshikatsu Matsuoka, acusado de corrupção, foi encontrado enforcado em seu apartamento, ele supostamente cometeu suicidio.


Mais sobre o Gomennasai (peço desculpas), leia aqui.







quinta-feira, 21 de abril de 2011

Não se esqueça desta mulher


Guarde bem este nome:
Aparecida Maria da Conceição Monteiro
Ela mora em Santana do Mundaú - Alagoas


Esta mulher espancou seu filho de tres anos, no dia 13 de fevereiro. Ele está na UTI pediatrica. Não vou entrar em detalhes, pois muito já se comentou e este blog não é jornalistico.
Estamos às vesperas do Dia das Mães...
Não gosto muito dessas datas comemorativas - Dia dos Pais, Mães, Avós. No mundo inteiro há orfãos que não tem o que comemorar, pois seus pais morreram ou os abandonaram. Deve ser extremamente doloroso ver um coleguinha levando um presentinho pra mãe, feito por ele na escola. Deve ser frustrante não ver a mãe na apresentação especialmente montada para ela. 
Maternidade são para poucas mulheres, nem todas querem ser mães ou tem capacidade para tal. A grande maioria não tem consciencia de que uma gravidez vai gerar uma vida e que ela vai ser responsavel por essa vida; o que elas querem é "dar", satisfazer seus parceiros para que não procurem na rua o que elas negam em casa, ou simplesmente porque gostam da "coisa". Bebida, drogas, maus tratos pelo companheiro, pobreza; para uma mulher que sobrevive a tantos problemas, um filho a mais ou a menos não faz diferença e se estiver atrapalhando, sempre há a opção da adoção ou a rua.
Sim, há mulheres que tem cinco, sete, dez filhos e vive - com dificuldade - feliz com todos eles, dando amor, educação, assoprando cada arranhão e passando noites acordada cuidando de uma febre. Sopa de batata todos os dias, quem sabe um pãozinho amanhecido e todos limpinhos e preparados para a escola. 
O governo tenta ajudar, mas quem garante que os subsidios recebidos não vão parar no bar da esquina ou na mão de algum traficante? Hoje em dia, um filho a mais significa um bolsa - familia a mais.
Não vejo essa mulher aí em cima, uma vitima da pobreza, da ignorancia ou do vicio. Eu a vejo como uma pessoa incapaz de atos de amor. Para o inferno com essa conversa de "coitada, é alcoolatra, pobre, doente mental". Meu pai é alcoolatra, tenho amigos que moram em favelas e minha irmã é professora numa APAE e todos são integros apesar das dificuldades.
Essa mulher não merece minha solidariedade e me sinto mal por ela estar no meu blog, ocupando o espaço de coisas agradaveis. Paciencia.... Eu não poderia fechar os olhos pra tamanha mostruosidade.

Eu poderia falar do massacre no Realengo, mas aquelas crianças foram mortas pelas mãos de um desconhecido e essa criança, foi brutalmente espancada por alguem que ela conhece e possivelmente ame e confie. 

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Child Safety Harness: nome chique para coleira

Pode ser meio chocante a principio, mas pensando na segurança das crianças, não acho que seja uma medida abusiva. Eu já "perdi" o Lucas dentro das Pernambucanas quando ele tinha uns 2 anos. Ele se escondeu embaixo de uma arara de roupas e quem conseguia encontra-lo? Depois de alguns minutos, o medo toma conta da gente e não conseguimos raciocinar. Pensamos mil coisas nesse momento. Será que saiu para a rua? Será que alguem o levou? Quando o panico tomou conta de mim, comecei a gritar por ele, e o danado saiu sonolento debaixo das roupas, tava cansado de esperar e adormeceu.  Não briguei com ele, pois a culpa tinha sido minha. Crianças não se perdem, os pais é que os perdem.
Alguns anos atras, vi uma criança com seu avô no shopping, usando um desses cintos. Eu entrei em choque! Achei um absurdo, o Beto achou ridiculo.

Hoje penso diferente e lembrando bem da cena, o avô era um senhor de idade, o menino parecia uma espoleta, correndo de um lado para o outro, puxando o avô e rindo. Se o menino não estivesse com o cinto, seria impossivel o senhor acompanha-lo. Jamais poderia sair sozinho com o neto, imagina se ele cai na escada  rolante ou desaparece?
Usado com responsabilidade e amor, visando a segurança e nunca o controle, é um meio de proteger.
Quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, andava segurando o passador de cinto do meu pai, tinha que andar rapido e lembro que os dedos doiam, ficavam adormecidos. Eramos 4 irmãos; a Katia no colo, Edna segurava a mão, eu no passador de cinto e Silvio a frente.
Amanda e Lucas - meus filhos - nunca soltavam das nossas mãos e saiam correndo, eram obedientes e não davam trabalho durante os passeios ou compras.


Pais sem autoridade, estressados, autoritarios ou intolerantes 

O problema é se os pais encararem como forma de controle. Antes de postar, fiz algumas pesquisas e infelizmente isso tem acontecido com frequencia. Uma mãe estava com a filha no shopping e quando ela caiu, a mulher a puxou e mandou que se levantasse. Outra estava na fila do caixa num supermercado; a mãe mandou a criança ficar sentada no chão esperando.

Não é o que parece

Olhe essas fotos. Parece que o cachorro está sendo amordaçado porque é bravo ou porque seu latido está incomodando.
Eu pensei isso e xinguei tanto essa mulher! Vi as imagens e tirei conclusões erradas. Na verdade, ela é veterinária e está imobilizando o cão para medica-lo.



Esse dá medo até de chegar perto. Parece um cão enfurecido prestes a atacar alguem.
Pela explicação, o dono esta zelando pela segurança dele e das pessoas. Se um outro cão passar por ele, não vai latir e assim não havera confronto. 

Rodrigo, num episodio de Malhação
É ficção, mas pode se tornar realidade. No episodio, o Rodrigo não conseguia se controlar e resolveu usar a focinheira pra não beijar a Tati.
O perigo é os pais usarem o child safety harness na primeira infancia e essa focinheira na adolescencia.



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Por que presidenta e não presidente?

Tudo começou com uma publicação de um amigo no Facebook, uma piada meio preconceituosa:


Sandy... devassa.
Faustão... magro.
Silvio Santos... pobre.
Dilma... fazendo omelete na Ana Maria Braga.
Tiririca... na Comissão de Educação
Maluf e Collor na Comissão da Reforma Política...
Genoíno na Assessoria de ética do Governo...
Lula dando palestras em Universidades...

E depois dizem que vai acabar em 2012....



Gerou uma certa polemica, então publiquei uma nota

A vida é assim. Esquenta, esfria. Aperta, daí afrouxa. Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Dilma segurando as lágrimas
Dilma citou frases de Guimarães Rosa em seu discurso de posse e senti sinceridade nela.
Resolvi publicar esta nota depois de ler um post preconceituoso de um amigo que eu admirava muito. Para ele é o fim do mundo a Dilma fazer omelete no programa da Ana Maria Braga. Eu não gosto muito da Ana, mas o assunto não é sobre ela e sim, sobre nossa presidenta.
No programa ela explicou o porque de querer ser chamada de presidenta e achei muito coerente o que falou. Enfatizar o fato do Brasil ser governado pela primeira vez por uma mulher. A letra A sintetiza o feminino, disse ela. Na minha opinião, as mulheres  sempre ficaram atrás da cadeira do presidente - esposas, secretárias, amantes. Agora, uma mulher está na CADEIRA. Odeio as feministas que se acham melhores que os homens. Não acredito na igualdade totalitaria. Para mim, é o homem que protege, que tem os braços fortes e não gosto de ter as unhas quebradas fazendo um serviço pesado e sujo, se isso for machismo, então sou machista.
Nossa presidenta ama os livros tanto quanto eu, adora o cheiro de um livro. Quem é amante de literatura vai concordar que cada livro é uma aventura, uma viagem. Melhor ser viciado em cheirar livro do que pó. Os olhos da Dilma brilhavam quando falava sobre o tempo em que o pai a "obrigava" a ler Dostoiévisk em troca da coleção Biblioteca das Moças e da sua vontade de trazer o Abaporu da Tarsila para o Brasil. Muito corajoso admitir que admira artes mas não sabe pintar absolutamente nada.
Não sei se ela vai fazer um bom governo, mas vou torcer muito por ela. Só acho que ela não é boa oradora, não tem o dom da oratoria, mas não é isso que queremos? Mais ação e menos blá-blá-blá?
Todo politico que se preze, fala bem (?). Discursos longos, chatos, tediosos e mentirosos. Até numa conversa informal, um politico estufa o peito,  levanta o queixo e fala alto, pensando estar num palanque.
Eu votei nela.
Se fiz a escolha errada, o tempo dirá. 
A vida é assim. Às vezes escolhemos o marido errado, o emprego errado, o caminho errado. Se sempre escolhemos o errado, será que o problema não está em nós? Não devemos culpar o objeto da nossa escolha, afinal foi uma escolha nossa.
A Dilma - como sempre - tropeçou nas palavras, ao falar sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro. As lagrimas falaram por ela...

sábado, 9 de abril de 2011

O que posso fazer?

  • Apagar a luz do comodo que não esta sendo usado
  • Não perder o sentimento de solidariedade
  • Pensar no que as vitimas da catastrofe estão precisando
  • Prestar atenção às informações erradas
  • Não estocar mantimentos
  • Parar de usar o telefone e mandar e-mails desnecessarios
  • Tirar da tomada os eletronicos e eletrodomesticos que não estao sendo usados
  • Deixar combinado um local de encontro em caso de desastres
fonte: revista Alternativa - Japão

Estou digitando com a luz do quarto apagada, tá meio dificil, mas não impossivel. Tá bom... é preguiça de levantar e acender a luz, mas tá valendo, né?
Como fazia um tempo que não postava, resolvi falar sobre o terremoto (pois é, o pesadelo não passou). Lendo a revista Alternativa, achei legal postar trechos de tres entrevistas. Vamos lá.

Entrevista 1 - Ronaldo Jotta, brasileiro que liderou campanha para arrecadar alimentos.

"Encontrei uma senhora com um bebê no colo e entreguei a ela uma lata de leite e fraldas. Quis dar mais uma lata de leite e ela recusou dizendo para entregar a outra pessoa porque o que tinhamos dado seria suficiente para uma semana e talvez tivesse alguém com mais necessidade que ela."

Se fosse no Brasil, esse relato terminaria assim:
Quando entreguei a lata de leite à senhora, ela me disse "só uma? Isso mal dá pra uma semana!"
Infelizmente, depois de ver imagens das pessoas tentando desesperadamente pegar alimentos de um caminhão, após as enchentes no Brasil, temo que essa historia do Ronaldo terminaria dessa forma.

"Minhas ambições mudaram. Antes eu pensava que precisava vencer na vida, ter dinheiro, e partir daí ajudar aos outros. Aprendi que estava errado. Nós podemos fazer agora. Não temos o direito de esperar para ajudar ao próximo."


"(...) mas segui meu coração e quando seguimos a emoção, quase sempre fazemos o certo. Temos que fazer aquilo que a gente sente."


Dias atrás, publiquei no Facebook, um desabafo dizendo que o Japão estava colocando à prova minha lealdade a ele. Nem postei aqui, porque era um desabafo que não me arrependi de faze-lo, mas fui muito dura...
Eu estou longe de Fukushima, tomo meu banho diariamente, faço as tres refeiçoes, durmo numa cama quentinha e o Beto e Lucas estão comigo e seguros. Amanda, Keity e Laís estão no Brasil.
Meu descontentamento por não estar trabalhando parece tão sem proposito e egoista após ter lido essas linhas.

Entrevista 2 - Mio Saito, uma adolescente de 16 anos, está num abrigo com a família, junto com cerca de 350 pessoas

 "Não somos coitadinhos, como a imprensa mostra."
Para ela, é importante que todos saibam que eles estão lutando, levando a vida como podem e confiantes na reconstrução do país, disse a revista.

Entrevista 3 - Marcos Bezerra Abbott Galvão, embaixador do Brasil no Japão

"O Japão tem larga experiencia em apoiar, prestar apoio ao exterior. Não tinha experiencia em receber ajuda."

Achei interessante a forma como o Japão se mobiliza em casos de catastrofes. A organização japonesa é muito eficiente. Primeiro eles montam a estrutura para receber as doações e orientar os voluntarios e a partir daí, começam o trabalho em campo. Trabalham em silencio, sem alarde.
Uma coisa legal é separar o tipo de doação. Alimentos, dinheiro, roupas, etc.
Aichi e Shizuoka receberam a orientação de recolher cobertores. Imagine se todos resolverem doar arroz e ninguem pensar em escovas de dentes. Quem, nesse momento, pensaria em escovar os dentes? Pode ser um item superfluo, mas fiquei sabendo que houve doação de escova de dentes, creme dental, absorvente, sabonete.
Por isso a coisa funciona e acontece. Todos recebem doações por igual, ninguem recebe mais ou menos do que o necessario.
Fazer uma fila quilometrica para receber um onigiri (bolinho de arroz)?
Recebem, agradecem e comem vagarosamente, pois pode ser o unico alimento do dia.
Penso que se fosse no Brasil (poderia ser um pão frances com margarina), as pessoas se revoltariam, quem sabe queimariam os colchões - brasileiro adora queimar coisas - em protesto. Depois o governo mandaria novos colchões acompanhado de um marmitex.
Aqui existem falhas, saqueadores e golpistas se aproveitando da dor alheia. O Japão não é um país perfeito e eu amo o meu país. É no Brasil que quero viver meus ultimos dias; é no Brasil que está minha casa, meus cachorros, meu cantinho.
Brasileiro tem uma coisa que japoneses não possuem: a emoção impulsiva, não controlada, exagerada.
Se eu encontrasse um amigo agora, depois de muito tempo sem ve-lo, o abraçaria, quem sabe até o beijasse.
Japoneses ficam parados, um de frente para o outro, se cumprimentando curvando o corpo. Mulheres ficam  a meio metro de distancia acenando uma para a outra, como se houvesse uma barreira invisivel entre elas. Pais e mães choram pelos filhos, mas não os abraçam.
Todos com vontade de se tocar, com o olhar suplicante, mas essa barreira os impedem de se aproximarem.
Nas novelas, as cenas que contem abraços e beijos são artificiais, pelo menos, é essa a impressão que me causam. Beeeeem diferente das cenas das novelas da Globo.
Varios programas de TV questionam esse comprtamento, ficam analisando, tentando achar uma explicação.
Eu tenho a solução para eles.
Quando chegar em casa, agarre sua esposa e dê um beijo cinematografico nela, de lingua.
Se o seu chefe pegar no seu pé, mande ele se f*. e arranje outro emprego.
Abrace seus filhos, eles não mordem.
E adote uma criança, ao invés de um cachorrinho-super-mega-fofo.


GAMBARE, NIPPON!

Amém...



http://cybelebelschansky.blogspot.com
http://dcreativeaholic.blogspot.com

http://strpimp.wordpress.com
sakura and sasuke