segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Micro gravidez

Não existe nada mais frustrante e mentirosa que menstruação.
Depois que tive Amanda e Lucas , passei a ter micro gravidez todos os meses e já se passaram 21 ANOS - faça as contas!
Irritação, apetite voraz (por chocolate), peito inchado e dolorido e "contrações" - colicas...
Ontem a noite, acho que pari uma criança de 10 kilos. Senti tanta dor que parecia que tinha alguem abrindo minha barriga com motosserra.
O pior de tudo é que depois que acaba o espasmo, parece que nada aconteceu, dá a impressão que somos mentirosas. Num minuto, fazemos cara de caveira, noutro, cara de flor!

Eu, Beto e Lucas estavamos vendo Supernatural. Na "hora da colica", Beto tentou me abraçar "AAAAIIII, não aperta a minha barriga". Em outra, ele colocou a mão na minha perna "AAAIIIII não encosta", na seguinte "Não olha pra mim, que dói".
HAHAHAHAHAHAHA
Quando passava, eu olhava pros dois - eles nem respiravam, com medo de doer - e perguntava "o que o Dean falou pro Sam?" com a maior  naturalidade.
E depois desse sofrimento todo, cadê o bebê?? Não tem bebê, é só uma simulação ou pegadinha.

NUNCA tomei remedio pra colica, ODEIO remedio. Mas dessa vez, tive que tomar um tylenol. Me senti uma derrotada, vencida por uma dorzinha de barriga. Quando fui pegar o comprimido, me olhei no espelho e me vi pálida, com olheiras e abatida... Depois de 20 anos, tomei um comprimido pra colica, é o fim... O que virá depois? Comprimido pra gripe, dor de cabeça, dor nos ossos, dor nas costas, dor aqui, dor ali.
Quando sinto que vou ficar gripada, tomo varios banhos bem quentinhos e limpo a casa. Fico arrumando coisas pra fazer e não desanimo. Durante a micro gravidez, fico mais quietinha, faço um charmezinho, porque Beto fica me mimando. Me dá chocolate, traz café na cama, me carrega, fica falando "coitada da minha gorda, tá dodói".
Na TPM, se sinto colica, não fico chata. Se já levanto de mau humor, é sinal de que não sentirei nenhuma dor. Não sei o que é melhor: sentir colica e ser mimada ou não sentir dor e virar uma bruxa azeda.
Este mes, a dor está  insuportavel... Queria chegar logo na menopausa e parar de menstruar. Mas dizem que os sintomas dela são piores que da menstruação. 
É... cheguei até a metade do caminho - quarenta anos - o que encontrarei até chegar ao final? O final é óbvio, nem precisa me lembrar.
Engraçado... na TPM e durante a menstruação me sinto mais mulher. Fico com "peitão", com o olhar "aceso", mais feminina. Não sei como alguem pode se sentir feminina e bonita com "aquilo" entre as pernas, tendo que ir ao banheiro de 2 em 2 horas pra trocar. Mas eu me sinto!  Gosto de provocar e depois dizer "hoje não pode". Poder, pode, mas não quero, prefiro me fazer de dificil às vezes.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Meu amor tem quatro patas

video

SOFIA

Amanda me acordou falando que os cachorros estavam nascendo, que o Nick foi no quarto dela e a acordou.
Fomos para a sala e o primeiro já tinha nascido - o Gigio.
Fiquei com Sofia até as 6 da manhã e o ultimo a nascer foi  Peto.
Quando encontrei Sofia e seus irmãos no cemiterio, não pensei duas vezes. Voltei pra casa e falei pro Beto "vamos buscar um cachorrinho". De volta ao cemiterio, conversamos com o vigia e ele nos explicou que foi deixado, no portão, uma caixa de papelão com os filhotinhos. Não foi a primeira vez que isso tinha acontecido, as pessoas sabiam que ele cuidaria. Reparamos que os filhotes tinham sido alimentados com leite e ração.
Escolhemos a Sofia por ela ser a mais fraquinha e doente. Quando chegamos em casa, Amanda ficou sentada com ela na calçadinha até que Nick se acostumasse com ela e não pensasse que ela fosse uma ameaça ao seu trono.  Não sei por quanto tempo Amanda ficou tirando os vermes que insistiam em sair. Ia puxando um por um. Todos os dias, ela se sentava com a Sofia no colo pra tirar as pulgas - ela era muito pequena para tomar banho.

Sofia, um mes depois de chegar em casa

Nick adorou Sofia

Era assim, todos os dias



Pena que não tenho todas as fotos pra postar, pois ficaram com Amanda. Depois peço para que ela me mande. Por enquanto, estas bastam.


BOLAS DE PELO 


Depois do "namoro", quatro bolinhas de pelo corriam pela casa. Um dos vidros da porta da cozinha foi quebrado pelo meu sobrinho, num jogo de bola e esse buraco passou a ser usado pelos pequenos como passagem para o "Mundo Maravilhoso Que É Dentro de Casa". E assim foi até o dia que só passava a cabeça deles. Enquanto fazia almoço ia chamando um de cada vez e lá ia uma salsicha ou um pedaço de carne. De manhã, cada um aparecia pra receber um pedaço de pão.
Muita gente, simplesmente não acreditava que os filhotes tinham nascido na sala, do lado do sofá. Na verdade, Sofia tinha escolhido um buraco no chão, no fundo do quintal, perto da bancada de ferramentas. Peguei o pano que ela fez de ninho e levei pra sala. Ela pareceu aprovar o novo lugar - ficava entre o sofá e a mureta da sala. A cada nascimento, ela comia a placenta, limpava o filhote e deixava o lugar limpinho. De manhã, parecia que nada havia acontecido, exceto pelas quatro bolinhas peludas penduradas nas tetas dela.
Passamos a ser uma familia formada por:
  • Beto - o "Que Dava o Pão"
  • Claudia - a "Que Colocava pra Fora"
  • Amanda - a "Mãe da Sofia"
  • Lucas - o "Pai do Nick"
  • Sofia - a mãe
  • Nick - o pai
  • Gigio - o "Orelhudo"
  • Nick Junior - o "Espertinho"
  • Sara - a "Dengosa"
  • Peto - o "Meigo"
Não podiamos ficar com todos e Gigio foi para a casa de uma amiga da Valeria, minha cunhada.. No mesmo dia, nos arrependemos, mas já era tarde demais... Nick Junior foi para a casa do meu tio. Ficamos com os quatro restantes.
Assim me apresento aqui , no blog: "quatro cachorros e uma tartaruga".

PETO

Um dia, senti algo estranho e corri para a janela do quarto. Já sabia antes de olhar: o portão estava aberto. Chamei um por um e Peto não apareceu. Liguei para Beto e falei que Peto tinha fugido. Ele voltou e procurou por todo o bairro. Um dia se passou. Dois dias se passaram. Dois dias chuvosos. Eu chorava o dia todo. Resolvi fazer uns cartazes e pregar nos postes. Beto, na hora do almoço e a noite, rodava com o carro procurando pelo bairro. No terceiro dia, de manhã bem cedo, calcei botas e com os cartazes e fita numa mão e sombrinha na outra decidi que naquele dia eu iria achar Peto.
Saí pelas ruas chamando por ele. De repente ouvi um latido bem longe e tive certeza de que era ele. Parei em frente a um portão e pensei "será que alguem pegou ele?". Gritei o nome dele, sei lá quantas vezes. O latido ficou mais forte e vinha da entrada de uma canaleta de esgoto. Lá estava ele, lá embaixo. Tentei puxa-lo pelas patas mas não tive forças, ele era muito grande. Deixei tudo lá mesmo e falei "Peto, eu já volto! Prometo que venho te buscar" e saí correndo. Quanto mais queria correr, mais minhas pernas ficavam pesadas pelas batidas do meu coração. Olhei para trás e ele estava correndo atrás de mim! Paramos e ficamos nos abraçando, ele me lambia sem parar e acabei ficando suja de lama dos pés à cabeça. As crianças olhavam pela janela sem acreditar.
Tomamos banho juntos, no chuveiro. Essa historia foi contada e recontada para os amigos incontaveis vezes.

Quando Peto pegou uma virose, quase o perdemos. Ele ficou muito fraco... só podia tomar uma colher de agua a cada duas horas e pouquissima ração. O veterinario nos alertou para que fechassemos bem a porta do banheiro e não deixassemos louça dentro da pia. No quintal nada que pudesse guardar agua de chuva. Se ele bebesse agua demais ou comesse demais, vomitaria e isso seria extremamente doloroso para ele. A cada duas horas davamos uma colher de agua e abriamos a porta para que ele fosse no quintal fazer xixi. Quando ele queria sair, ia ao nosso quarto e encostava o focinho no rosto do Beto. Perguntavamos "o que voce quer? Xixi, cocô ou agua?", ele só olhava pra gente, se virava e ia caminhando bem devagar em direção à porta da cozinha. Beto e eu nos revesavamos.
Uma noite, fiquei com dó e não aguentei, dei uma colher a mais de agua. Meu Deus, que besteira, eu fiz! Ele começou a ter espasmos e vomitou. O veterinario disse que teriamos que começar tudo de novo, pois o estomago dele se machucava, a cada esforço para vomitar.
Durante o dia, Sara ficava com ele, deitada ao seu lado, com a cabeça apoiada nas suas costas.
Peto era muito apegado a mim, me olhava com aqueles olhos enormes e me perguntava a cada instante "voce me ama?" e eu respondia "claro! agora deixa eu trabalhar?".


SARA

Tudo ia ficar bem se a Sara não resolvesse repetir a travessura do irmão.
Por que toda vez que algum cachorro foge de casa, chove?
Procurei Sara nos mesmos lugares e teria sido mais que coincidencia se ela estivesse no mesmo lugar, né?
Meu tio ligou e falou que talvez fosse a Sara que estava escondida embaixo de uma arvore perto de casa. Ele tinha chamado por ela, mas ela apenas rosnou. Pequei a coleira e descemos correndo a rua. Não acreditei! Era ela mesmo. Ela estava assustada e machucada e não queria sair dali. Chamei "Sara!" e ela não me reconheceu. Quando falei "vem, nenê!" , ela levantou a cabeça e veio rebolando e dizendo "voce me encontrou, voce veio me buscar! tava com tanto medo". Sim, eles falam comigo.
Sara também tomou banho de chuveiro.
Depois disso, os dois nunca mais sairam pelo portão sozinhos.
Sara come deitada, com a pata esquerda esticada, abraçada ao prato de ração. Pergunto: "tá gostoso?". Ela dá uma rebolada, balança o rabo e esperneia. Acho que isso significa um "SIM".
Quando ela entra pela sala, vem toda dengosa, rebolando, balançando o rabo. Beto faz cocegas nela e ela se esparrama no chão de costas, com as pernas abertas. Safada!


NICK

Nick é o rei absoluto,  não deixa ninguem chegar perto enquanto come - deitado. Come bem devagar e concentrado. É muito carinhoso e adora se agarrar nas pernas das pessoas. Constrangedor para a pessoa que é agarrada, engraçado para quem ve. Aparece por trás e se enfia entre as pernas da gente pedindo carinho. Adora esfregar a cabeça nas nossas pernas.



OS QUATRO MOSQUETEIROS




Beto comprava pão fresquinho pra dar todas as noites, um pra cada. Ensinou todos a se sentarem em fila pra receber "O Pão de Cada Dia".


Sofia fazendo carinho na Sara

Peto, com ciumes

dá um chega pra lá na Sara

e toma o lugar dela

Sara fazendo carinho no pai

A casa cheirava cachorro, tirava toneladas de pelo todos os dias com a vassoura. Dia de chuva era "Dia De Lavar A Cozinha", pois o chão ficava cheio de marcas de patas e os armarios pintados de "Rabadas de Barro". A sala tinha quatro "Tapetes de Pelos", um em cada canto e ai se um "tapete" resolvesse ficar no lugar do outro. "Tapete Sara" ficava sob os meus pés porque era o mais peludo e o que mais me esquentava. "Tapete Sofia" ficava atrás do sofa. "Tapete Nick" ficava bem no meio do caminho, entre a cozinha e a sala tentando evitar que "Tapete Peto" passasse. Pedia, então, com aqueles olhos de "vem me buscar!" e lá ia eu, segurar o Nick pra ele passar. 
Não pensem que a casa era uma anarquia por causa deles. A casa tinha regras.
  • Não pode subir no sofá - Sara fingia que essa regra não era pra ela.
  • Não pode apoiar as patas na mesa - deveria ter mudado para focinhos, depois que eles cresceram.
  • Não pode entrar no meu quarto - exceto em caso de emergencia.
  • Não pode pegar o pão do outro, tem que esperar a sua vez - Sofia enterrava o dela, Peto ia e desenterrava. Acho que ela não gostava de pão, mas não queria magoar Beto, então pegava.
  • Quando ouvir "FORA", é pra ir pra fora - Nick fingia que era surdo. Eu chegava bem perto dele e falava de novo. Ele se levantava bem devagar e ia a passos de formiga, ofendido.

DOR, DOR, DOR, DOR, REVOLTA, SAUDADE

Quando passava alguém pela calçada, os quatro saiam escorregando pelo chão e iam avisar que era "estritamente proibido" passar por ali. Um cachorro incomoda muita gente, quatro incomodam muito mais.
E talvez, por esse incomodo, alguem tenha resolvido se livrar desse "incomodo".

Essa é a ultima foto que tenho da Sara e Peto. 
A resolução das fotos deste post não estão muito boas, porque foram feitas pelo PrtSc, tiradas de videos.
Semana passada, à noite, alguem jogou veneno pelo portão e os dois - os "Boca de Tubarão" comeram.
Amanda viu Sara cambaleando e vomitando, indo se deitar no fundo do quintal. Keity a pegou no colo e deixou com Amanda e tentou ligar para o veterinario, mas era tarde demais... Sara morreu nos braços dela.
Peto ficou internado na clinica por tres dias e não resistiu. 
Senti tanta dor e chorei tanto pela morte da Sara, que fiquei preparada para o que fosse acontecer com Peto. Quando soubemos que ele tinha morrido, não chorei. Não senti nada. Acho que entrei em choque. 
Não sinto raiva da pessoa que fez isso e não me interessa o que vai acontecer com ele. Nem a justiça dos homens, nem a justiça divina vai diminuir minha dor, nem vai traze-los de volta. 
Será que o luto é assim? As pessoas entram em estado de letargia? Ficam sem reação?
Pedi o laudo do veterinario pra lavrar um TCO e espero que a policia descubra quem assassinou meus cachorros. Só quero pedir uma coisa: que essa pessoa seja proibida de passar pela minha rua. 
Sabe aquele ditado: Os incomodados que se retirem.
Se meus cachorros incomodam com seus latidos ao passar pelo portão, por que simplesmente, não atravessam a rua?? Por que passar colado ao portão? Por que cutucar e jogar pedra? Por que jogar veneno?







sexta-feira, 7 de outubro de 2011

É errado achar errado?



Uma das coisas que mais me orgulho de ter ensinado aos meus filhos foram os valores morais: honestidade, dignidade, humildade, solidariedade.
E o que me tira do sério é a falta de algum deles em uma pessoa.
Uma historinha pra ilustrar:

Quatro amigos trabalham juntos . Vão para o trabalho,  fazem intervalo e voltam pra casa ... juntos.
Conversam, trocam sonhos e reclamam do chefe. Aparentemente, uma amizade pra vida toda. Aparentemente, eu disse.
Um dos quatro amigos - que chamarei de vermelho -  está tendo dificuldades em permanecer em pé por horas sem sentir dores na coluna e fica no "ah, não aguento mais, vou sair.  Onde eu trabalhava, ganhava mais e trabalhava menos" o dia inteiro. Os outros tres tentam anima-la em vão. A cada tentativa, novos lamentos.
Resolve então vender o uniforme para o amigo - azul - a um preço inferior ao que irá pagar à empresa. Seria um bom negocio se esse amigo não resolvesse sair também.
A "negociação" aconteceu na semana anterior à decisão de azul de deixar a empresa. vermelho ficou de entregar o uniforme na sexta feira. azul comunicou a saída na quarta feira, e já havia pago antecipadamente, no dia da "negociação".
Ao saber da decisão de azul em sair da empresa, vermelho resolveu entregar o uniforme na quinta feira, pois ambos parariam na sexta feira.
Tudo bem até aqui? Tá dando pra acompanhar?
Bom, restam os outros dois amigos - verde e rosa.
rosa, então, perguntou a vermelho: "mas o azul vai sair, você vai vender assim mesmo?"
"Coitado do azul", falou verde.
"Ah, mas o negocio foi feito na semana passada e ele já pagou. Acho que ele vai dar pro primo."
"Mas o tamanho é S, o primo usa 4L", falou rosa - na verdade, o uniforme seria para a esposa, que também decidiu sair.
"Ele não falou nada, deixa quieto. Eu já gastei o dinheiro."
rosa e verde balançaram a cabeça, reprovando a atitude de vermelho.
rosa teve seu uniforme "emprestado sem devolução" - leia-se roubado - então decide comprar de azul, mas vermelho pergunta - leia-se intimida - "você vai ficar com o uniforme mesmo, ne? se quiser devolvo o dinheiro." "Não, de boa. Não esquenta a cabeça", respondeu azul.
"Vocês viram eu perguntei. Não to enganando ninguém." Mas mesmo assim, resolve devolver o dinheiro.
Nesse momento, passa uma menina e vermelho pergunta: "que numero é esse uniforme? não quer comprar o meu, porque eu vou sair".
rosa entrou em choque! Como ela tem coragem de oferecer pra outra pessoa se rosa se ofereceu pra comprar, caso não ganhasse outro da empresa. Levanta indignada e se retira, chateada.
vermelho então, vai atrás e fala "você ficou brava? eu te dou o uniforme, o dinheiro não vai fazer falta pra mim.". rosa fala "não, tudo bem, não quero", ela tem quase certeza de que ganhará outro, mas quis comprar porque achou um absurdo vermelho manter o negocio, mesmo sabendo que o uniforme seria inútil para azul.
A discussão se estendeu até o local de trabalho e nesse momento, rosa viu a verdadeira face de vermelho.
"Eu não gosto que as pessoas se metam na minha vida. Eu fiz negocio com o AZUL, você não tinha que se meter. Brigar por causa de dinheiro. Dinheiro é amaldiçoado mesmo. Eu não enganei ninguém. azul não é criança, tem mais de trinta anos."
Quanto mais rosa tentava se explicar, mais vermelho ficava colérica: "Você tá tentando reverter a situação, tá me atacando por que? Eu não ia fazer a cabeça do azul contra você, só ia pedir pra ele vender pra mim, só que você ofereceu pra menina."
"Mas você não deu certeza se vai comprar ou não. Agora eu já devolvi o dinheiro. Pior que esse dinheiro era pra comprar umas coisas que meu marido pediu." rosa resolveu encerrar a discussão e trabalhar.
No intervalo, rosa ainda tentou explicar porque tinha ficado chateada, mas vermelho se recusava a ouvir. Falou: "você fez uma coisa que eu não faria. Eu disse que não tinha certeza se compraria, porque eu não sei se a empresa vai me dar outro uniforme e esse valor, pra mim, é muito! Ele vai sair, mas se eu resolvesse comprar, eu ligava e pegava outro dia. Você se adiantou e ofereceu pra primeira pessoa que passou, mesmo sabendo que eu não tenho uniforme."
verde - um doce de pessoa - também se manifestou: "pensei que você falou brincando, porque não é certo isso. rosa falou que comprava de você, porque ela ta sem uniforme e a outra tem."
verde também tentou ajudar na nova negociação com a menina, falando que tava barato, etc. - mas deixa pra lá, ela é um amor, só tava tentando ajudar todo mundo.
rosa perguntou para azul: "o que você vai fazer com o uniforme?"
"Na verdade, eu ia dar pra minha esposa, mas ela saiu, agora... deixa pra lá"
"Eu ia  falar que comprava de você".
 "Ah, isso ia ser uma boa".
Ficou bem claro que azul tem um coração bom. Não foi enganado, apenas manteve o acordo.

Já descobriu, ne? Eu sou rosa, muito prazer.
Beto diz que sou igual a um caquinho de vidro; pequena, carinha de fragil, uma menininha (odeio ser chamada de menininha). Talvez por isso as pessoas ou se penalizam, ou me acham engraçadinha ou apontam o dedo no meu nariz, gritando.
O que as pessoas não sabem é que não sou vidro comum, sou feita de vidro a prova de balas.

Essa minha amiga (ex-) trabalhou por um tempo num lugar onde valores morais são deixados para fora.
Mesmo sabendo disso, a recebi com todo carinho no meu coração. Beto ficou contente quando falei que ia me encontrar com minhas novas amigas. Parece que voce gostou delas, ele disse. Fiquei muito contente, porque todas as suas amigas tão no Brasil ou ficaram em Nagoya.
Dessa vez, me permiti abrir o coração sem reserva, sem timidez.
E mais uma vez, me decepcionei. Sei que as pessoas não são perfeitas. Eu não sou perfeita. O mundo está longe de ser perfeito.
E o que me irritou mais, foi ela passar a noite toda tentando falar comigo, puxando conversa, mostrando para todos que ela era magnanima, que havia se humilhado me pedindo desculpas e que eu a estava tratando friamente. Como poderia aguentar tanto cinismo? Não depois de ela ter apontado o dedo no meu nariz, falando pra não me meter na vida dela. Isso ela fez, longe dos olhos de todos.
Talvez ela tenha percebido em azul, um cliente em potencial.
Talvez, de tão habituada a seduzir os homens para que consumam bebidas no clube onde trabalhava, não tenha percebido que estava usando de sua arte para enganar seu amigo. Talvez não tenha agido de má fé, talvez não tenha percebido que estava agindo como uma oportunista.
Só sei que algo se quebrou dentro de mim. Eu posso ser cruel às vezes, quando exagero na sinceridade e uma vez quebrado esse elo, não consigo emenda-lo.
Estou decidindo se publico ou não este post... Me sentei aqui, às 5 da manhã e  já são 9 horas. Fiquei escrevendo por 4 horas...Como eu já disse, não posso negar a existencia das pessoas que passaram pela minha vida, mas tem momentos em que gostaria de ter uma borracha e poder apagar certas coisas.
Será que eu estaria em paz com minhas convicções, com meu jeito de ser, se não tivesse falado nada e deixado o assunto pra lá, acrescentando mais uma injustiça a esse planeta tão complexo?
Será que foi errado achar errado? Afinal azul não reclamou nem pediu o dinheiro de volta. Coisas de quem tem o coração bom demais pra dizer não.







domingo, 2 de outubro de 2011

Cativa-me!

19.Setembro.2011


Hoje me despedi de colegas e do meu chefe. Estou iniciando um novo ciclo.
O taifu de terça-feira não causou somente estragos e transtornos, causou uma revolução em minha vida.
Quando chegamos ao Japão, pela primeira vez, parecia que estavamos aterrisando em outro planeta. Um planeta fantasma e perfeito, cheio de Barbies e Kens - de olhos puxados.
Beto ligou para a mãe e quando falou com a avó, esta perguntou: "tem muito japones aí?".
Descobrimos muitas coisas e desmistificamos outras. Ao ver um outdoor, escrito em letras romanas, perguntei "nossa, japones consegue ler?". Pensava que só havia kanji por aqui.
Andando pela rua, vi um cachorro e mandei:  " será que cachorro late em japones?".
Fomos morar em Mie-ken, numa cidade do interior, onde estrangeiros eram raros. Não compramos bicicletas, então faziamos compras e passeios a pé ou de onibus. Atraíamos todos os olhares.
No inicio, um onibus era suficiente para levar todos os brasileiros para a fabrica. Alguns meses depois, dez onibus iam lotados de pessoas cheias de sonhos e ansiosos por uma vida mais confortavel. Eu e Beto eramos populares. Eu era solícita e ajudava os "novatos", ensinando o serviço e fazendo traduções - meio na base do "kore, kore" - Beto era brincalhão e simpatico e deixava todos à vontade. Passeios em grupo e churrascos eram constantes.
Um casal de amigos resolveu trocar de emprego e reuniu todos em uma roda e chorando, se despediram de nós agradecendo a acolhida. Nosso tantousha nos consolou - ou assustou - dizendo "voces vão ver muito isso ainda". Ele tinha razão. As pessoas, simplesmente começaram a desaparecer, sem roda de despedida. A cada dia, a rotatividade se intensificava.
Meu primo nos alertou dizendo " depois que voce trocar pela primeira vez de emprego, vai trocar sempre". É igual a uma criança que vê o portão aberto, sente medo de atravessar, mas quando coloca um pezinho pra fora - sozinha -, a cada dia irá mais longe.
Eu sempre mantenho um pé para dentro, não tenho mais medo de caminhar sozinha, mas criei tantos laços por onde passei que sempre acabam me levando de volta.
Sabe aquela fitinha que amarramos no dedo para não esquecer? Tenho mais dedos com fitinha do que fios de cabelo!
Já disse uma vez - aqui - que a vida é feita de retalhos. Não costuramos somente retalhos perfeitos, não estamos livres de encontrar um com um defeitinho, feito de pessoas que nos magoam, que nos ferem.
Mesmo essas pessoas estão entre minhas fitinhas e retalhos. Elas fizeram parte da minha vida, não posso negar a existencia delas. As portas do meu coração estão fechadas para elas, mas as portas da minha casa estarão sempre abertas. Posso não recebe-las com flores, mas pão e agua não faltará. Amizades no Japão são muitas vezes efemeras, se dissipam como nevoas. Chegam e acabam como um taifu. Amizades que duram até que alguém decida atravessar o portão.
Com o passar do tempo, comecei a selecionar melhor minhas fitinhas e retalhos. Não tinha mais estrutura emocional para administrar esses "taifus" que viviam se descosturando da minha colcha. Cada retalho é unico e insubstituivel, cada um tem suas particularidades e cores. E a cada perda, a dor era imensa.
Adoro conversar! Acho que já perceberam, pois meus textos são loooongos, não é mesmo?
É só me dar um tema e a conversa pode virar a madrugada. Mas não espere que eu faça perguntas pessoais, de imediato. Nunca começo uma conversa com "voce é casada?", "tem filhos?", "sua mulher é baixa, loira ou gorda?", "gosta de peixe ou de brocolis?". Estou conversando, não interrogando. Prefiro iniciar à moda japonesa: "tá quente, né?". Normalmente faço um comentario engraçado, pra descontrair - mas não sou palhaça. Pode não parecer, mas sou extremamete timida e reservada, não gosto de perguntas sobre minha vida pessoal, afinal acabei de conhecer a pessoa! Não entendo como algumas pessoas, nos primeiros dez minutos, contam suas preferencias sexuais.
Daquela epoca, de dez anos atrás, restaram poucas pessoas, a quem convidaria para serem padrinhos de casamento, por exemplo.
Longe dos olhos, longe do coração. Esta frase é cruel, mas verdadeira.
Sei que é um pouco de descuido, poderia ligar de vez em quando, mas penso assim: a distancia entre nós é a mesma, se essa pessoa nunca me liga, por que eu deveria ligar? Pode ser um jeito errado de pensar , mas às vezes sou orgulhosa - ou preguiçosa.
Beto é completamente diferente de mim. Tem os mesmos amigos, passados 25 anos. Não importa quanto tempo fiquem sem se falar, quando se encontram, parece que só se passou um dia. Ele é companheiro, ajuda no que for preciso: empresta dinheiro, o ombro pra chorar, carrega geladeira nas costas, guarda segredos (até de mim!!) quando pedem, não faz fofoca  e odeia "panela". Tem uma espontaneidade quase pueril. O telefone dele toca o dia todo.
Falando assim, parece que eu sou a megera, a solitaria, a esnobe.
Manter uma amizade é trabalhoso, requer cuidados especiais. Preservar um amigo é mil vezes mais complicado que manter um casamento. Amor é passional, intenso, carnal! Amor é  vivido a dois, suporta longas distancias e longos periodos de abstinencia.
Um dia ele me disse que ficava triste por eu ser assim, reservada, desconfiada...
Nem sempre foi assim! Mas sofri tanto com essas amizades relampagos que acho que me fechei num casulo.
 O amor pode surgir de uma troca de olhar, não é preciso palavras para acontecer. Quando Beto e eu trocamos o primeiro olhar, tudo ao nosso redor ficou cinza, sem som, congelado. Naquele momento sabiamos que seriamos um do outro. Estavamos num clube, lotado de gente, o som era ensurdecedor. Ao descer as escadas que davam acesso ao salão, eu o vi parado, perto da porta. E aí a magica aconteceu.
Desde então vivemos como no poema de Vinicius de Moraes:


"Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."





Amizade tem um significado muito especial pra mim. É preciso vencer uma maratona pra conquistar meu coração. Se voce bater na porta e não desistir na primeira tentativa e tiver paciencia para esperar a porta se abrir, garanto - sem falsa modestia - que voce terá uma amiga 100% dedicada.
Trocaria uma noite de amor por uma noitada com amigos. Trocaria caricias por risadas. Deixaria um beijo para secar a lagrima de um amigo.
Posso namorar (não consigo falar com naturalidade "fazer amor") todas as noites, 24 horas por dia, os 7 dias da semana. Apesar dos turnos trocados, nos falamos a todo instante e aproveitamos cada minuto que passamos juntos.
Mas sair com os amigos é raro, pois cada um tem sua própria familia, morando em casas separadas, às vezes em países diferentes.
Sair com amigos é tirar um tempo para risadas e piadas. Beber até cair. Falar bobagem. Passar horas no MSN ou Facebook.
Todas as semanas, Jorge e Ana, faziam Noite da Pizza, Noite do Pão Caseiro, Noite Qualquer Coisa. Era a noite mais esperada da semana, o apartamento deles se enchia de conversas e risadas e alegria. Qualquer coisa era motivo para reunir o pessoal. Churrasco para comemorar aniversario de um ou despedida de outro. Natal, Ano Novo, Golden Week, Obon.
Teve uma vez, no Ano Novo, que "viramos o ano" em 4 apartamentos diferentes.
Aí, aconteceu o que eu mais temia: mudamos de emprego e fomos para Osaka; Jorge e Ana voltaram para o Brasil; os outros, mudaram de emprego, casaram ou tiveram filhos ou voltaram para o Brasil.
Como disse, lá em cima, iniciei um novo ciclo. Novo emprego. Novos amigos.
Termino este post com um trecho do livro "O Pequeno Principe", com esperança de que eu venha a cativar e ser cativada milhares de vezes.



E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços…"
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor… cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele…
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
- Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.