terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cheirinho de pastel de feira e café - parte II

Antes de mais nada,  recadinho para um amigo:


O I,  H I G A!!!




Acho que sentir saudades é diferente de ter lembranças.
Saudade é  lembrar de coisas boas, de coisas que nos fizeram felizes. Saudade de um abraço, de um beijo ou de um sorriso é  lembrar de alguém querido, por exemplo.
Para mim,  saudade sempre vem acompanhada de cheiros. Cheiro de bolo de fubá,  lembra a casa da minha sogra. Cheiro de terra molhada, lembra minha epoca de escola. Cheirinho de cabelo de boneca, me leva de volta à infancia. Como adorava cheirar o cabelo das minhas bonecas! Hilário - viciada em cheiro de cabelo de boneca, loiras de preferencia.
Alguns cheiros não lembram nada, só é bom de cheirar. Café. Livro. Roupa nova. Omnia. Corpo recem saído do banho. Mar. Chuva. Feijão sendo temperado.
Engraçado... tenho rinite e não consigo sentir NENHUM cheiro, quer dizer, de alguns anos para cá desenvolvi rinite (não sei se é assim que fala - desenvolver), então acabo associando lembranças com cheiros. Não entendeu nada?
Tentarei explicar. Lembrar de alguma coisa é também lembrar o cheiro dessa "coisa".  Eu não sinto o cheiro, eu me lembro do cheiro.
Bom... em rarissimos momentos de lucidez nasal, que duram milesimos de segundos, consigo sentir cheiro e saio feito louca pela casa abrindo vidros de perfume, shampoo e se o Beto tá em casa, fico cheirando ele inteiro. Se estou no supermercado, abro frasco de amaciante, de desodorizador de banheiro, shampoo. Se for num depaato, corro pra perfumaria. É insano, chega a ser comico, mas na realidade, é triste.
Tem tratamento? Deve ter, mas... na verdade essa rinite já faz parte da minha personalidade.
 Me perguntam "voce gosta desse perfume? ah é... voce não sente cheiro". Na maioria das vezes, as pessoas se esquecem, mas sinto uma pontinha de superioridade nessa pergunta. Às vezes, minto e falo que gosto. Quando to de bom humor, falo que hoje não to conseguindo sentir cheiro, a rinite tá braba.
Lembranças nem sempre são felizes. Lembrar de alguem que morreu. Lembrar de um fora que levou do namorado. Lembrar de erros cometidos, de palavras que escaparam ou de despedidas forçadas e não planejadas.
Acho que  lembranças é uma palavra tão triste. Combina com coisas e pessoas que passaram pela nossa vida e que jamais retornarão.
Saudade é uma palavra que traz uma esperança, uma sensação de que algo passou mas não acabou.

CHEIRO DE JAPÃO

Quando era criança costumava visitar duas tias, cujas casas tinham um cheiro que eu adorava.
Meus irmãos achavam a mesma coisa, mas nem em mil anos, conseguiremos explicar o cheiro da casa da tia Mari. Cheirava coisa boa, casa de tia legal, que levava pra passear no zoologico e na praia. Cheiro de comida gostosa, de aconchego. Cheiro de risada e de alegria.
A casa da outra tia, cheirava JAPÃO. Sóbria, escura, limpa e silenciosa. Moveis escuros, toalhinhas de croche espalhadas pelas mesas, mangás e livros japoneses. Calendario japones na parede. E um cheiro... inexplicavel. Delicioso. Misterioso.
Quando vim para o Japão, entendi o significado desse cheiro que passou a fazer parte da minha vida. Um cheiro caracteristico que entra na pele e marca. Reconheço uma pessoa que morou no Japão pelo cheiro dela - apesar de não sentir cheiro.
Uma vez, meu nariz acordou e senti o cheiro daqui de casa. Que delicia de cheiro! Minha casa cheira JAPÃO.



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Cheirinho de pastel de feira e café - parte I

Dei chilique no sabado. E não to na TPM!
Acho que cansei do Japão.
Lendo a revista Alternativa desta quinzena, concordo com o que a Cynthia,  uma leitora escreveu sobre sentir falta da diversão e alegria do Brasil e que para a maioria dos brasileiros, a unica distração é ir ao depaato, suupaa.
Eu gostava de ir ao JUSCO que agora é AEON e ao ¥100 shop. Hoje, eu nem tenho vontade de sair de casa, porque com essas crises e essa instabilidade, não tenho coragem de comprar nem um par de meias novos - é exagero, mas melhor prevenir, né?
E quando a cabeça fica vazia, pensamentos melancolicos invadem e tomam conta da gente. Enquanto estou preocupada com coisas do tipo compro uma bolsa rosa ou amarela? lanche no Mc ou KFC? não fico me lembrando de como o Brasil me faz falta.
 HAHAHAHAHAHA Quem ler isso, vai achar que sou completamente futil. É só um disfarce. Não sou assim, mas ultimamente to tentando me camuflar um pouco, tentando esconder a Claudia das pessoas, deixando que pensem que essa que está escrevendo é uma mulher materialista, mimada e cheia de frescuras.
To um pouco cansada de me expor tão abertamente, mas falar das minhas saudades não vai me matar ne?
Então, acrescento: Sinto saudade de comer pastel na feira, de andar pelo Brás e ouvir "aí freguesa, blusinha por R$5,00", "moça bonita não paga, mas tambem não leva". E pão frances com manteiga na chapa, aquele da padaria da esquina?
Saudade do sol entrando pela porta da cozinha, à tardezinha. Saudade de tomar café passado em coador de pano. Saudade do bolo simples da Dita (minha sogra) e das conversas e risadas à mesa. Pode me chamar de louca, mas sinto falta da fila do supermercado, da fila do crediario das lojas. Fila de banco não, porque fila de banco só pra pagar conta.
Fazer compras no Carrefour uma vez por mes e depois passar no Habib´s. Começar o dia com Mais Voce, passar para o Mulheres, voltar para o Vale a Pena Ver de Novo, Sessão da Tarde, Malhação, Novela das Seis, das Sete e das Nove, não importa qual seja. Jornal Nacional, pra ver as noticias ruins do dia e depois terminar com Jô. Ah! e A Grande Familia? Eu esperava a semana toda pra assistir. Aqui no Japão, com umas certas facilidades, eu posso ver qualquer episodio quando quiser.
No Brasil, pra ver novela, tinha que aguentar todos os comerciais, aqui como num passe de magica, os comerciais nem existem. Sem graça ne?
No Brasil, dava tempo de ir ao banheiro ou de pegar umas bolachinhas. Alguem gritava JÁ COMEÇOU e a gente voltava correndo. Perdeu a cena? Azar o seu. Perdeu o beijo? Agora só na imaginação. Nada de pause/play.
No Japão, se estamos vendo a novela antes de sair para o trabalho, adiantamos e vamos para as cenas finais ou simplesmente continuamos a ver depois que voltamos. Chego em casa, tomo banho, pego meu café Starbucks e aperto PLAY. Simples e sem emoção alguma.
Suco de laranja verdadeiramente natural, que delicia! Na fruteira, maçã, banana, pera, manga, uva, maracujá, mamão, ameixa, abacate. Sentar embaixo da jabuticabeira e comer jabuticaba até a lingua ficar roxa - tá, eu não gosto de jabuticaba, mas tem quem gosta.
Sei lá... pode ser que eu esteja ficando velha, afinal já sou vovó... Mas quero mais da vida, quer dizer menos. Menos trabalho, menos preocupações com chefe que não entende a minha lingua, menos gente mandando e desmandando na minha vida. Menos terremoto, menos tsunami, menos radiação. E agora a novidade: menos enchente. Enquanto a Tailandia estiver sob as aguas, estamos em recessão.
O que falta inventarem? Retorno dos gafanhotos no Egito?
No Brasil tem enchente, tem ladrão, tem politico corrupto, tem transito caotico, tem fila no INSS, mas tem alegria, tem almoço de domingo com a familia, tem sorriso com dente faltando, tem tenis puna e camiseta adibas. Tem pastel de feira custando R$1,80 e não ¥500.
No Brasil, eu lia Claudia, Marie Claire e livros. Muitos livros. Lia de um a dois livros por mes. Aqui, tenho que esperar entrar na promoção da promoção pra comprar UM livro.
Acho um abuso explorar nossa saudade dessa forma. 
Por isso, me acostumei a comer comida japonesa, chocolate japones, pão japones, pão de queijo (?) japones e a ler livros e revistas... em japones. Ver e ouvir japones 24 horas por dia!
Uma hora a gente pira! e isso aconteceu sabado. Chorei, me descabelei, briguei com todo mundo. Quis abandonar tudo e voltar pro Brasil. Voltar como? E nesse frio? O jeito foi me acalmar e sair pra jantar fora. Fomos comer gyoza.
De vez em quando a gente precisa explodir, por pra fora essa saudade. O problema é que acabamos atingindo as pessoas que amamos. Ainda bem que esse amor é forte, surdo, mudo e tem memoria curtinha.

nota: imagens da web

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Novo comentando o Velho

Tenho outro blog, o Borboletas e outras coisas. Tá meio abandonado, por isso resolvi transcrever pra cá alguns posts. Vai ficar meio bagunçado, mas como não tenho tempo pra me dedicar aos dois e como não quero perder o que escrevi...
A cada transcrição, farei uma pequena introdução.

 nossa, como to metida,  to parecendo alguma escritora famosa, falando com seus fãs.

Queria muito ter um blog. Desde a adolescencia, tive muitos cadernos onde escrevia poemas; colava recortes de atores, cantores e bandas; escrevia frases copiadas de revistas e albuns de figurinhas; fazia desenhos e sei-lá-mais-o-que. Um desses cadernos, emprestado para minha cunhada e jogado fora pela minha sogra, foi o que mais continha  poemas e contos, escritos por mim. Fiquei muito triste e até hoje não consigo perdoar as duas (bom... perdoaaaaaar... perdoei, mas não esqueci).



Borboleta vive somente 24 horas?
data da postagem - 27/03/2010



Outro dia, assistindo a uma entrevista da Aline Moraes, ela comentou que uma amiga, quando estava muito ansiosa/feliz, sentia mil borboletas dentro dela. Felicidade são pequenos e curtos momentos, como a vida de uma borboleta. Quando a Aline recebeu de presente um livro sobre borboletas, disse ter ouvido falar que uma borboleta vive somente por um dia.
Eu nunca soube disso! Fiquei tão comovida que fui pesquisar o por que. Descobri que não são as borboletas, mas sim, algumas especies de mariposa é que vivem até menos de 24 horas.
Borboletas são lindas, inspiram romantismo, delicadeza e pureza. Exibicionistas, coloridas e alegres. Sempre amei as borboletas mas, depois de saber que uma mariposa pode viver somente por 24 horas, senti uma solidariedade gigantesca por ela. Do asco à admiração.
Começo este blog falando sobre mariposas. Damas da noite, sempre em busca da luz, discretas, intensas.
Começo falando sobre o sentido da vida.
A mariposa sai do casulo, copula, põe ovos e... morre. Uma nova mariposa sai do casulo, copula e... morre. Sai do casulo e... morre. E... morre.
24 horas podem significar uma eternidade ou um milionesimo de segundo. Para uma mariposa significa a perpetuação de sua especie, para mim pouco, muito pouco.


coloquei essa imagem (web) junto com a mensagem


Falando em borboletas, outro dia no facebook, escrevi  To com tanto TESÃO pela vida que acho que as borboletas do meu estomago devem estar acasalando!



sábado, 5 de novembro de 2011

Bá e Má!



Má! depois de tantas quedas, ficamos com só UMA vida, mas é suficiente, ne?
EU AMO VOCE, com uma ou c(s)em vidas!







Quem não conhece o Roberto, quando me ouvem falando Má! - com ponto de exclamação - perguntam "qual o nome do seu marido?" e eu respondo Roberto, me olham com cara de "Hã? então por que Má!?"
A explicação vem de mil anos atrás; tá, nem tanto, um pouco menos. Quando começamos a namorar, não tinhamos apelidos "fofos": amor; bem; mor; coelhinha; fofinha e afins. Não julgando quem usa, nós não gostavamos, mas tinhamos apelidos. O meu era baixinha (horrivel, ne?) e do Roberto era Rô (creeedo! ainda bem que não é mais).
Um dia, na festa de noivado de amigos, os noivos ficavam se chamando - o tempo todo - de AMOR pra cá, AMOR pra lá. Eles estavam felizes e apaixonados, mas quando o doce tem muito açucar, enjoa. Eu e Rô, decidimos então achar um apelido fofo, mais por sarcasmo - ah! releve, só tinhamos 16 anos.
Comecei a chamar de M´amor, um MEU AMOR disfarçado. E de M´amor, ficou Má! Uma coisa bem simples, não é? Aposto que pensaram que a historia poderia virar roteiro de filme.
Desde então, somos Bá! e Má! com variações para mim: bazita, bazinha, gorda, hira, cheirosa (esse é brega, mas eu gosto, principalmente quando vem com uma fungada na nuca e nos cabelos)e para Beto: mazinho - shikanai (vide tradutor Google).
Nossos apelidos são para nosso uso, uma coisa só nossa, mas as pessoas acham tão diferente que acabam nos chamando de bazinha e mazinho, principalmente minha sogra e minha cunhada.
Talvez com o tempo, seremos lembrados como Bonnie e Clyde, Tristão e Izolda, Guinevere e Lancelot, Arthur e Morgana. Todos tiveram finais trágicos, mas tinham um amor tão intenso e tão de cheio de adversidades que no final, o que importa é o que viveram e não como acabaram. 
Eu e mazinho queremos ficar bem velhinhos juntos, e se possivel quero morrer abraçada a ele, porque ele acaba com todos os meus medos e dores quando me abraça. Me sinto tão pequena e protegida dentro dos braços dele!

Claro que temos problemas e brigamos, sim! 
E temos manias e defeitos. Ele ronca e não me deixa dormir. Fuma tanto que se fosse dono da Marlboro, o lugar iria à falencia em uma semana.
Eu ronco, mas ele não se incomoda e deixo a luz do banheiro acesa. Reclamo de tudo! E sou chorona (não sei se é defeito...).

Resolvi explicar o significado dos nossos apelidos porque tá ficando meio (...) ficar repetindo. Então, se alguem ouvir a gente falando Bá! ou Má!, dá uma olhadinha aqui, ok? Sei que vai ser meio decepcionante, mas fazer o que? Às vezes, as melhores coisas estão nas coisas simples.

Prefiro contar como a gente se conheceu, mas já contei tantas vezes que acho que ninguem aguenta mais ouvir. Mas se quiser saber, terei a maior paciencia e prazer em contar. Esse sim, dá um roteiro e tanto.