quarta-feira, 7 de março de 2012

Muito prazer, meu nome é... como é meu nome, mesmo?

Lendo a coluna da Lilian, na revista Alternativa desta quinzena, me fiz a pergunta "qual é o meu nome?".

Reproduzo uma parte do texto:
No momento de registro de uma criança estrangeira na escola pública japonesa, três informações são fundamentais. O endereço, para definir a escola a ser frequentada; a idade, para saber a série; e por último, o que será feito com o nome. A pergunta geralmente é formulada assim, "O que vamos fazer com o nome?" Deixando de lado qual a intenção, fica implícito para um recém-chegado que algo precisa ser feito e, no caso dos brasileiros, o nome é extenso demais para o espaço disponível. E o nome parece não ter tanta importância vendo a situação atual das crianças. Só é curioso que na hora de controle dos estrangeiros como no cartão de registro, espaço nunca é problema.
Me apresento no blog assim, " Nasci Cláudia Hirashima e após me apaixonar, me tornei uma Dias" . Até chegar ao Japão, sempre fui Cláudia, só Cláudia. Algumas vezes com variações para Cráudia ou Claúdia - que eu odiava - e Clau ou Claudinha.
Ao fazer o registro na prefeitura , virei Diássu Kuraudjia Hirashima. Eu nunca gostei do meu nome, porque o significado dele não é muito bonito. Li certa vez - o que me traumatizou - que Cláudia é feminino de Cláudio, o coxo; claudicar. Claudicar é mancar. Mas transformar em Kuraudjia??? Nada poderia ser pior.
Na primeira fábrica eu e meu marido eramos Hirashima san e Roberuto. Na segunda, virei Diássu okaasan, porque Amanda era Diássu san ou Amanda (foi um nome bem escolhido, hein? rs). Mas nesta última, entrei em choque: teria que optar por um só sobrenome - Hirashima ou Dias. A fábrica alegou que no cartão de identificação só poderia conter nome e um sobrenome. Com dor no coração, escolhi Hirashima. Foi muito difícil encarar o olhar de desapontamento do meu marido. Pensei "no Orkut, Facebook e blog sou Claudia Hirashima, pois apesar de ter me tornado uma Dias, na essência continuo sendo uma Hirashima"
Na prefeitura, ao fazer a alteração, Beto falou para a atendente "eu não tô valendo mais nada, agora só falta separar...". Por isso eu o amo tanto, como  ele consegue achar graça nesse tipo de coisa?
Pronto! Fábrica, prefeitura e banco só existem Cláudia Hirashima. Passaporte, intocado.
A Lilian, da Alternativa, abre a coluna perguntando O que um nome representa?
Para mim, o nome é só um nome, o que realmente importa é a pessoa que carrega o crachá. Cláudia, Diássu, Hirashima, Clau, até o odiável Claúdia é só uma forma de me chamarem, eu continuarei sendo a mesma pessoa.
Depois dessa bagunça toda, nem me importarei mais em brigar com a Telefônica e companhias de energia elétrica e água para consertarem meu nome nas contas.
Ela levantou uma questão que para nós estrangeiros, pode parecer estranho no início, mas acabamos nos adaptando, afinal não aprendemos a comer com palitinhos?

Um comentário:

  1. Kkkkkkkkkkk
    Muitas risadas.
    Realmente "Craúdia" (já te chamaram assim?! Rs), aqui os nomes se transformam.
    O meu também passou por grandes alterações, pois sou Junior, carregando todo i nome do meu pai...
    Mas, como você escreveu, agente acaba se acostumando e isso não muda quem somos...
    Beijitos

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