quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Tomar coca-cola direto da garrafa

Valéria vai casar.

Valéria é minha cunhada e a última das irmãs do Beto solteira. E resolveu se casar. E quer o irmão no casamento. E está no Brasil.
Isso significa que o Beto vai ter que ir para o Brasil; é uma coisa boa porque ele está precisando de férias. Quando Aline - minha outra cunhada - se casou, não pudemos comparecer e prometemos ir ao casamento da Valéria. Promessas são tão complicadas e difíceis de cumprir...


Eu não vou poder ir, meu contrato foi renovado (ufa! que alívio!) e não posso pedir férias... Mas o Beto, depois de quase 5 anos trabalhando sem NUNCA ter faltado, decidiu que era hora de tirar uns dias de descanso e assim poderia conduzir a irmã até o altar, conhecer a Laís, rever a família e os amigos, resolver algumas coisas em casa (será que vão ser férias?).
Foram meses de planejamento, semanas de ansiedade e dias de tensão. Quanto mais perto o dia da viagem se aproximava, mais ele ficava desesperado, afinal eu iria ficar sozinha e quem me conhece...
O Lucas vai junto.
Decidi fazer um diário contando como vai ser esses dias sem os dois aqui em casa.

Uma semana antes

Dia 14 de setembro foi aniversário dele e fizemos um churrasco no domingo pra comemorar o aniversário e a despedida deles. Tive uma crise histérica e por pouco não fui parar no hospício. Era muita coisa pra administrar.
Pessoas estavam sendo demitidas na minha fábrica; preparativos do churrasco; compras para a viagem; comprar terno/gravata/sapato; ansiedade por ficar sozinha; Beto e Lucas pareciam apáticos e sem vontade de colaborar; ia passar taifu no dia do churrasco.
Mas deu tudo certo, fez um dia lindo - com um pouco de vento - nossos amigos compareceram, não faltou comida, não faltou bebida, não faltou alegria e não faltou micos, né Alexsandra?  hahahahahaha
Até falei umas palavrinhas na hora do parabéns. Lucas tocou no violão e a Laís falou "Feízsário" e cantou parabéns num vídeo que Amanda gravou.

Dois dias antes

Correria.
Fomos visitar a Angel e voltamos decepcionados e revoltados. Essa história contei aqui.
O Lucas foi encontrar os amigos no parque e nós fomos ao AEON e o Beto acabou comprando uma calça e um tênis. Falou que eu estava levando ele para o mau caminho, que estava gostando de gastar dinheiro com roupas. Saí do shopping desmaiando de fome e cansaço... a semana toda não almocei nem jantei, simplesmente não tinha fome! Resolvemos comprar comida no Sukiya e comer em casa.

Um dia antes

Fomos buscar saco de lixo na prefeitura de manhã e fizemos compras no Koko. Estoquei a geladeira de carne. Passamos o resto do dia vendo seriados online. O Lucas foi almoçar com os amigos, depois foi para o estúdio e à noite fomos levar a Lika até Chiryu, para ela pegar o trem de volta para Toyohashi. Comi 4 esfihas - duas no almoço e duas na janta. Acho que estou voltando ao normal e a fome veio em dobro.

Dia da viagem

Fomos ao banco atualizar as cadernetas e fazer as últimas compras. Beto comprou alguns presentinhos para os amigos e um boné. Pelo jeito virou um consumista...
Compramos garrafas e garrafas de suco e o Beto ficava me beijando e suspirando e pedia pra eu não olhar com aquele olhar de "fica, fica, fica".
A Lika e os pais chegaram exatamente ao meio dia e pegamos a estrada pra Nagoya.
13:30 entramos no Denny's para almoçar e 14:50 o Beto e o Edson estavam correndo atrás do agente de viagens pra pegar um selo de identificação para o embarque. Brasileiro é fogo. Não respeita o horário.
Deveríamos estar às 14:30 no ponto de ônibus para o kakunin. 15:00 o ônibus iria sair.
Nós estávamos tranquilos porque estávamos dentro do horário e no ponto. De repente foi uma correria, ningém sabia que precisava de um selo de identificação para o embarque. Pessoas correndo de um lado para o outro, malas espalhadas na calçada, pessoas ainda se despedindo e eu me irritando. O agente de viagens não tinha explicado sobre o selo e tinha sumido. Ainda bem que despachamos as malas no sábado, então só faltava o selo.
Haviam dois ônibus - um branco e um vermelho - o selo do Beto e Lucas era vermelho, então os dois pertenciam ao vermelho. Verdade?! Dãããã.  Os motoristas ficavam olhando o relógio e o povo bem sossegado... Brasileiro é fogo!
Beto me beijou e falou: - eu amo tanto você! Você vai ficar bem?
- Vou. Você vai?
- Não! ele respondeu.
Lucas me deu um abraço forte e demorado.
De dentro do ônibus, Beto ficou brincando e colou o selo na testa, na orelha, ficou fazendo graça. Lucas ficou sério e não olhou pela janela.
O ônibus foi andando e a gente seguindo. Beto ficou olhando pra trás até não nos ver mais. No último momento, Lucas ficou me olhando... e deu xauzinho...
Pronto. Foram.
A partir de hoje, posso tomar coca-cola direto da garrafa.







2 comentários:

  1. Adorei!!! Me emocionei!! Fica bem, Bjuu

    Karina sua ex........ hum??? ex colega de trabalho!!! kkkkkkkkkk

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  2. Fique tranquila... você sempre será sua melhor companhia. Não tem esse negócio de idas, voltas, receios. A vida é tudo uma coisa só... emoção.

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