domingo, 21 de outubro de 2012

Quinta Semana

A temporada zumbi acabou.
Ficar sozinha me fez bem, até perceber que eu estava me acostumando a ficar bem. Ficar sozinha me trouxe momentos de relaxamento, tranquilidade, serenidade. Claro que fiquei com medo! Mas fui aprendendo a controlar, deixando luzes acesas, não esquecendo de trancar portas e janelas. Me alimentei direitinho, pelo menos nas duas primeiras semanas, rs.
Eu era muito controladora, medrosa, preocupada. Exigia que o Beto e o Lucas me ligassem toda vez que saíam. Eu queria saber onde estavam e com quem estavam, não por ciúmes, mas medo de acontecer alguma coisa e eu não saber onde estavam.
Quem mora no Japão, DEVE se preocupar com terremotos, tufões e maremotos.
Então aproveitei esse tempo em que não precisava ficar grudada no celular pra relaxar. Se acontecesse esse terremoto que todos esperam e temem, eles estariam a salvo no Brasil.
O ser humano tem capacidade de se adaptar a qualquer lugar e situação. E se acomodar. E aceitar.
Eu estava me acostumando a chegar em casa e encontrar tudo no lugar, a ver meus seriados e ter pleno controle sobre a TV. No post anterior, listei 10 coisas boas de morar sozinha, não fui muito convincente, mas a verdade é que nunca fiquei sozinha por tanto tempo. Pode ser bom morar sozinha e não viver sozinha. Eu não tenho amigos de farra, aqueles que te convidam pra toda e qualquer festa; aqueles que se lembram de convidar você para toda viagem de férias; aqueles amigos que você convidaria pra serem seus padrinhos de casamento. Pelo menos aqui no Japão, não.
A vida de estrangeiros é meio superficial, acho. Meio fantasiosa. Acredito em amizades verdadeiras, mas pouco duradouras. Tive experiencias bem amargas, por isso me fechei um pouco. Quando comecei a abrir o coração, levei umas facadas que doeram! Mas isso é conversa pra outra hora.
Sexta feira trabalhei normalmente - ou quase. Na saída, liguei para o Beto pra saber se já tinham chegado em Osaka. Combinei de ir buscá-los em Kariya, junto com a Lika.
Quando os dois chegaram em casa, eu estava no hall esperando. Beto me abraçou e me deu um beijo. Foi meio estranho, meio sem jeito.
O Lucas me abraçou e me ergueu e me beijou e me carregou até a sala. Perguntei se tinha sentido a minha falta, ele disse SSSIIIMMM.
Foi falando e tirando as coisas da mochila. Os amigos o estavam esperando no parque e ele foi pra lá, matar a saudade. Voltou de madrugada e pela primeira vez não fiquei grudada no celular e não esperei ele voltar, acordada.
Acho que estou superando a Síndrome do Ninho Vazio, um dos sintomas da Menopausa.
E assim, termino o Diário das Cinco Semanas.
Não sei se tudo vai voltar ao normal e nem sei se quero que volte, mas com certeza, aprendi muito nessas 'férias forçadas'.

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