sábado, 14 de setembro de 2013

Até quando os pais devem responder pelos atos dos filhos?


No Japão, quando um artista, político ou uma empresa comete um erro, ele se desculpa publicamente, porque há um respeito muito grande pelos fãs, eleitores e consumidores, respectivamente. Escrevi sobre isso, quando o Kusanagi san do SMAP, saiu correndo pelado e bebado por um parque, aqui.
Quarta-feira, o filho do apresentador de tv Mino Monta foi preso por usar um cartão bancário roubado, em uma ATM (banco automático instalado em lojas de conveniência). Ele foi detido após ser flagrado pela
câmera de segurança. A polícia informou que o cartão havia sido roubado de uma pessoa que dormia na rua, bêbado.
Gente! O Mino Monta é milionário! Mora numa casa que ocupa praticamente, um bairro inteiro. Bom... o filho trabalha para a rede NTV, deve ser um salaryman ou não deve receber regalias do pai, mas!... não justifica o que ele fez, né?
Mino deu uma entrevista em frente à sua casa e estava arrasado. Falou longamente sobre o que aconteceu, respondeu a perguntas e se desculpou pelo que o filho fez.
Disse que vai se afastar do programa que apresenta por tempo indeterminado, em respeito aos telespectadores.
 O filho deve ser um 'rebelde sem causa'.

Mino Monta me deu as boas vindas quando cheguei ao Japão, pela primeira vez. Quando o vi, num programa parecido ao Show do Milhão, pensei "nossa, é o Silvio Santos japonês!". Fazia o mesmo suspense e tinha o mesmo carisma. Não sei se ele é mesmo assim ou só marketing, mas gosto dele. E se alguém souber de alguma coisa que o desabone (nossa! não uso essa palavra desde que redigia cartas de apresentação, nos meus tempos de DRH), NÃO ME CONTE, prefiro viver na ilusão.
Mudei de programa matinal, não vejo mais o que ele apresenta e não sei se ainda passa o Show do Milhão japonês, mas quando o controle remoto assume o comando, o vejo de vez em quando e falo um OI! QUE SAUDADE!

Voltando ao 'rebelde sem causa', o que leva uma pessoa a ser rebelde sem motivos? Roubar, matar, bater, cometer vandalismos, etc.
"A ocasião faz o ladrão" será verdade? ou a pessoa é safada mesmo?
Alguns adolescentes cometem rebeldias por puro divertimento e a fase passa - ou não.
E todos os recém-adultos têm a necessidade de provar que podem assumir responsabilidades, que podem vencer o 'mundo cruel' sozinhos. Eles têm a força, a coragem e as armas, mas não tem a maturidade.
Travamos batalhas todos os dias. Cada manhã é uma noite vencida. Todos os dias, precisamos lutar contra um dragão, às vezes usando lanças, outras vezes flores e o dragão mais perigoso é aquele que vive dentro de nós. As piores batalhas são aquelas que travamos contra nós mesmos. Nós somos os nossos piores inimigos. Dragão da preguiça, da insegurança, da inveja, da intolerância, da falta de humildade.
Eu não fui rebelde e não lutei sozinha,  dos demônios que me consumiam, restaram alguns.
Aprendi a ter mais paciência e a ser mais tolerante, quer dizer... aprender...aprendi, colocar em prática é outra história.

Quando deixamos de ser somente filhos para nos tornarmos pais, a coisa complica! Ver os mesmos erros e não conseguir tirar as pedras do caminho é muito frustrante. Sabe aquela sensação de gritar "cuidado, olha a pedra" e o filho não ouvir e tropeçar nela? Falar "essa pedra é grande demais pra você carregar sozinho", o filho tentar e ser esmagado?
E quando ele consegue pular a pedra ou ergue-la e diz "viu?". Deveriamos ficar orgulhosos dessa vitoria, mas esse "viu?" com tom de petulancia...

Eu sou muito protetora, controladora até. Quero saber de tudo, quero controlar tudo, quero tudo perfeito, quero ajudar, quero... hahahahahahha
E quero que eles sejam independentes, que façam tudo sozinhos.
Entendeu? Não? Nem eu...

Quando as brigas  com o Beto, por causa do jeito como ele lavava a louça, me levaram a uma psicologa e ela me dizer "quando for a vez dele lavar a louça, deixe ele fazer do jeito dele. Faça do seu jeito, quando for a SUA vez", parei  de me intrometer na vida de todo mundo.

Filhos, Filhos, Filhos! Quando vamos deixar de tratá-los como bebês? Se bem que os bebês desse milênio são como as tartaruguinhas. Saem dos ovos e vão sozinhos para o mar.
imagem do G1
Fico me imaginando andando atrás das tartaruguinhas, abrindo caminho e querendo que elas façam o caminho que eu escolhi. E se elas se afogarem? E se elas se perderem? E se elas ficarem cansadas? E se aparecer um predador?  E se...
E é claro que o meu caminho é o melhor hahahahaha

Pais... Sempre pais!