sábado, 23 de novembro de 2013

Noites Compartilhadas


   

   
Hoje completamos Bodas de Louça. 
   Há 22 anos, assinamos um papel, atestando uma coisa que já havíamos selado a 28 anos.
   Quando me perguntam quantos anos tenho de casada, preciso fazer as contas, porque parece tanto tempo, uma eternidade até, que acabo respondendo 25 anos, sei lá o porquê. Acho que acabo arredondando. Prefiro comemorar o aniversário da primeira troca de olhar, esse sim foi um dia inesquecível e falando de coisas inesquecíveis, quero escrever uma autobiografia impublicável, quero poder me lembrar - mesmo achando ser as memórias de outra pessoa, prevendo uma perda de memória - da minha infância, das minhas loucuras e aventuras, quero me lembrar dos cheiros, mais que das experiências. 
   Assinando esse papel, nos comprometemos a uma vida compartilhada de várias noites.     Noites dormindo de costas um para o outro, cada um chorando baixinho. Noites dormindo de 'conchinha', com você cheirando o meu cabelo ou minha orelha encostada nas suas costas.
   Noites acordados com um paninho molhado na mão, tentando baixar uma febre, em uma testa febril. Noites acordados, passando Amanda da cama de uma casa para o carro, depois para a cama, em casa.
   Noites e noites, sentados na mesa da cozinha, com contas crescendo como se fossem feijões jogados no quintal, num dia chuvoso. Noites decidindo pela água ou luz, aluguel ou comida.
   Ah!... E aquelas noites de verão, deitados no chão embaixo da samambaia, de olhos fechados e de mãos dadas, com uma garoinha fininha caindo sobre nós?
   Hoje, completamos 22 noites dormindo juntos, nem sempre acordando juntos. Nem sempre dormindo juntos, mas acordando agarrados, loucos de saudades.
   Noites em festas, celebrando uma alegria ou ao lado de um caixão, chorando uma perda.
   Casamento é isso: noites e noites, uma após outra, querendo que os pesadelos sejam só pesadelos e os sonhos não acabem, de manhã.
   22 anos. 2+2. Dois cisnes. Dois pilares. Duas pessoas. Duas forças. Dois pólos (+-). Dois mundos moldados e fundidos em um só.
   À medida que envelhecemos, as noites se tornam mais curtas, mais frias, mais assustadoras, mais doloridas. Eu sei que fica velando o meu sono, com medo que eu não abra mais os olhos. Eu sei que fica me olhando com doçura ou com volúpia, enquanto durmo. Posso sentir.
   Eu já fiquei com o rosto colado ao seu, tentando ouvir a sua respiração. Já entrei em pânico quando você demorava pra inspirar/expirar o ar.
   Mas, o que mais amo em todas as noites é que quando acordo de um pesadelo e peço pra você me abraçar, você SEMPRE está lá, e me aperta num abraço e eu durmo.
   Quando meu olfato e paladar começaram a falhar, fiquei totalmente dependente de você, confiando nas suas escolhas e quando, do nada, consigo sentir cheiro, saio pela casa tentando capturar cada aroma, mesmo que por milesimos de segundo. A primeira coisa que pego são os meus perfumes e o que mais gosto de me lembrar é do cheiro da nossa casa, cheira a lar.
   Desde que nos mudamos pra Hekinan, só senti o cheiro de casa uma vez e me lembro de ter dito "nossa casa cheira gostoso, é sempre assim?" e você respondeu "É".
   E quando limpo o banheiro, e você e o Lucas falam "o banheiro tá cheiroso" ou  "a comida tá cheirando boooom", fico muito feliz.
   As pessoas devem pensar "nossa, que mulher besta, por que não vai ao médico?", respondo: NÃO SEI, vai ver eu sou besta mesmo ou porque gosto dessa dependencia.

A Surpresa

O Roberto, sexta (dia 15) à noite, me liga confirmando a nossa ida à Kamimaezu, logo que chegarmos em casa, de manhã.
Peraí! Sair do yakin, pegar trem(?!) e ir pra Nagoya?

Primeiro: ele gosta de chegar em casa, tomar banho, acender um cigarrinho e se jogar no trono e ver seriado.
Segundo: TREM?
Terceiro: Nagoya?
Quarto: cancelar o nosso café da manhã, de toda sexta?

Explicando:

- Eu não durmo no sabado, na saída do yakin, acho desperdício de tempo, afinal só temos dois dias de folga e eu não quero passar 24 horas dormindo.
- eu AMO andar de trem, principalmente se houver lugar pra sentar kkkkkkk e faz anos que eu queria mostrar uma casa, que fica ao lado da estação de Kariya shi. Todos os dias, quando pegava o trem, ficava olhando essa casa.
- fui passear em Kamimaezu esses dias, com a Patricía e comentei com ele, que eu tinha visto uma coisa que tinha gostado.

   No trem, ele não aguentou e acabou me contando a "surpresa".
   - Mas Mah!, é muito caro!
   - Você merece mais, mas eu não posso te dar...
   Depois do que ele falou, fiquei sem o que dizer, apenas me aconcheguei nele e seguimos viagem.


   Meu Presente 

   Chegando na loja, procurei desesperadamente o "presente" e ele já tinha sido vendido... Fiquei frustrada mas ele me convenceu a escolher outro.

   Eu queria postar a foto da aliança e como não consegui fotografar os detalhes, pesquisei e encontrei a foto dela no Google e descobri coisas incríveis!
   Sobre a aliança: ela é de platina com diamantes incrustados nas duas laterais, assim podem serem vistos por ambos os lados e... um na parte interna! Só percebemos que havia um diamante lá, depois que chegamos em casa.
   A aliança é da Joalheria Ponte Vecchio, fundada em 1981 por um japonês e a sede fica em Tokyo. Não estamos milionários e nem fazemos extravagâncias, então fomos no Komehyo, uma loja que vende artigos de luxo usados e novos. Nunca me importei em usar bijuterias nem semijóias, mas depois que experimentei uma jóia com J maiúsculo, levei a sério a frase Os diamantes são os melhores amigos das mulheres.
   Comecei a percorrer as vitrines e querendo comprar TUDO!
   O Beto me tirou de lá falando que era pra deixar pra próxima vez. Oba! vai ter muitas próximas vezes.

   Diamante

   "Pedra do grande curador, remove bloqueios e traumas. Ajuda no tratamento de problemas sexuais, aumenta a função cerebral ampliando o poder mental e abrindo o chacra da coroa o que aumenta o poder de comunicação com o mundo espiritual elevado. Junto com outras pedras intensifica a função delas. Pertence ao planeta Sol e serve para todos os signos.
Diamante, do grego 'adamas', significa invencível e 'diaphanes', que significa transparente. Durante a Idade Média, acreditava-se que um diamante podia reatar um casamento desfeito. Era usado em batalhas como símbolo de coragem.
Os antigos o chamavam de pedra do sol, devido ao seu brilho faiscante e os gregos acreditavam que o fogo de um diamante refletia a chama do amor.
Sugere, portanto, a força e a eternidade do amor.
Só a partir do século XV, o diamante foi caracterizado como a jóia da noiva. Sendo Mary de Burgundy a primeira mulher a receber um colar de diamantes como um símbolo de noivado com o Arqueduque Maximilian da Austria em Agosto de 1477. Dos séculos XVII a XIX, usavam-se argolões como anéis de noivado. No século XX, ficou em moda o estilo "chuveiro", mais tarde o anel fieira. Depois o solitário, o estilo mais usado atualmente. " - http://www.diamantes.noradar.com/

Lendo isso, eu diria que o diamante não é o melhor amigo das mulheres, mas o melhor dos amantes.

   Ponte Vecchio - História





"Antes construída em madeira, apenas em 1170 foi refeita em pedra, enquanto o formato que tem atualmente remonta a 1345. Em 1442 tornou-se concentração dos açougueiros da cidade por ordem das autoridades locais que queriam manter um pouco mais limpas as áreas mais centrais e próximas aos grandes palácios. Dessa forma - nada higiênica - e nesses momentos penso mesmo que não gostaria de ter vivido nesta época, gorduras, nervos e pedaços de carnes podres podiam ser descartados diretamente no rio.

A coisa toda permaneceu assim até que em 1565, o grande Giorgio Vasari construiu o"Corridoio Vasariano" - via de ligação entre Palazzo Vecchio (centro político e administrativo) e o Palazzo Pitti (residência da família), passando sobre a ponte, destinada aos Medici. Em 1593, Ferdinando I, nada satisfeito com os odores provenientes do andar de baixo de seu corredor suspenso - os membros anteriores da família deveriam ter sérios problemas olfativos - ordenou que o comércio pouco nobre fosse substituído por joalheiros e ourives, até hoje existentes no local.

A Ponte Vecchio foi a única das florentinas a escapar da fúria nazista durante a 2º Guerra Mundial. Os gentis alemães contentaram-se em destruir "apenas" os pontos de acesso a ponte, como a Borgo San Jacopo, via Guicciardini e via Por Santa Maria. Tenho certeza de que os turistas e demais apaixonados pela cidade agradecem!

No centro da construção existem dois terraços panorâmicos, um deles hospeda um busto de Benvenuto Cellini. As grades do monumento
 viraram suporte para cadeados. Explico: os casais apaixonados resolveram imitar a arte, no caso o livro "Tre metri sopra il cielo" (Três metros sobre o céu, em português), do escritor italiano Federico Moccia, e selar seu amor com cadeados com seus nomes gravados.

Os personagens centrais, os adolescentes Babi e Step deram o exemplo, prontamente copiado 
por uma horda tão grande de casaisinhos que a administração pública viu-se obrigada a estabelecer uma multa de 50 euros para aqueles que fossem surpreendidos prendendo seus cadeados. 

Agora, quase em toda a Itália pode-se encontrar cadeados e mais cadeados, presos em tudo quando é ponte, poste, grade e afins.
 O tal ato de "romantismo" que teve origem na Ponte Milvio, em Roma, onde Step e Babi selaram o seu amor, o lampião, depois de ter sido alvo de roubo - os cadeados foram depois reencontrados - caiu dentro do Tevere por excesso de peso." http://giropelatoscana.blogspot.jp/2009/11/ponte-vecchio-linda-e-cheia-de.html





Não precisamos de cadeados, né Mah?

Feliz Aniversário.